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Lula pede que países ricos paguem pela preservação de florestas
Lula pede que países ricos paguem pela preservação de florestas
04/12/2023 10h25 Atualizada há 9 meses
Por: Leonardo Grandchamp
Imagem por @lovelyday12 / freepik

Neste sábado (2), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a responsabilidade financeira dos países ricos na preservação das florestas durante seu discurso na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2023 (COP28) em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Lula destacou a importância do cuidado não apenas para evitar o desmatamento, mas também para preservar as florestas, as comunidades que nelas habitam e a biodiversidade. Ele ressaltou que, pela primeira vez em 28 anos de COPs, as florestas estão "falando por si".

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"É a primeira vez que as florestas vêm falar por si. É a primeira vez que nós estamos dizendo: não basta evitar desmatamento, é preciso cuidar da floresta, cuidar das pessoas que moram na floresta, e cuidar da biodiversidade da floresta. Isso custa muito dinheiro, e os países ricos têm que ajudar a pagar essa conta. É isso que nós queremos nesta COP", afirmou o presidente.

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Lula participou de um evento intitulado "Protegendo a Natureza para o Clima, Vidas e Subsistência", ao lado da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e de outros líderes, como o presidente da França, Emmanuel Macron. O presidente, emocionado, cedeu seu tempo de fala para a ministra Marina, que cresceu nos seringais da floresta amazônica no Acre.

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"Eu não poderia utilizar a palavra sobre a floresta, se tenho no meu governo uma pessoa da floresta. A Marina nasceu na floresta, se alfabetizou aos 16 anos. Eu acho que é justo que, para falar da floresta, ao invés de falar o presidente, que é de um Estado que não é da floresta, a gente tem é que ouvir ela, que é a responsável pelo sucesso da política de preservação ambiental que nós estamos fazendo no Brasil", destacou Lula.

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No primeiro dia da COP28, na quinta-feira (30), foi aprovado um fundo climático destinado a financiar perdas e danos causados por desastres climáticos em países vulneráveis, uma iniciativa que busca auxiliar nações mais pobres a enfrentarem os impactos das mudanças climáticas.

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Polícias ambientais do Brasil

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, compartilhou um breve resumo das políticas do governo federal voltadas para a preservação da floresta, enfatizando as ações de combate ao desmatamento ilegal na Amazônia. Segundo Marina, essas iniciativas contribuíram para uma redução de 49,5% na derrubada da floresta nos primeiros 10 meses de governo, evitando a emissão de 250 milhões de toneladas de CO₂. A ministra salientou que, sem tais medidas, o desmatamento teria aumentado em 54%.

Além disso, Marina ressaltou a importância das políticas direcionadas aos povos indígenas e quilombolas para a preservação das florestas. Destacou que os povos originários são responsáveis por proteger 80% das florestas em nível mundial. Anielle Franco, uma jovem mulher negra, foi mencionada como parte do povo quilombola que está contribuindo para a proteção da floresta.

A ministra do Meio Ambiente destacou que a abordagem do governo não é setorial, estendendo-se por todos os ministérios. Como exemplo dessa abordagem sistêmica, mencionou o Plano de Transformação Ecológica apresentado pelo Ministério da Fazenda. Em relação ao presidente Lula, Marina afirmou que a diretriz para proteger a floresta vai além do "comando e controle" (fiscalização e repressão), sendo uma diretriz de desenvolvimento sustentável nas dimensões ambiental, social, econômica e cultural.

Durante a COP, o Brasil propôs que os países com Fundos Soberanos invistam pelo menos US$ 250 bilhões em um Fundo destinado à manutenção das florestas tropicais em todo o mundo.