Inflação médica: o que é, qual seu papel e o impacto nos planos de saúde

A Inflação Médica ou Variação de Custos Médico-Hospitalares (VCMH) é o termo que pode assustar gestores de empresas que lidam diretamente com a administração de benefícios de saúde, justamente por representar uma parte dos reajustes nos contratos com as operadoras.

O conceito do VCMH é complexo, porque na variação de custos não está inclusa apenas a variação do preço dos serviços contratados, mas também a variação da demanda e da complexidade dos gastos (perfil dos tratamentos, ampliações de rol, novos pacotes de serviços, etc).

No artigo de hoje falaremos sobre o que é, de fato, o VCMH, qual é a sua importância e como utilizá-lo. Confira a seguir:

O que é a inflação médica?

A inflação médica  nada mais é do que o índice, medido pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), que representa o percentual de variação das despesas médico-hospitalares per capita para um conjunto de operadoras de planos e seguros de saúde.

Historicamente, a inflação médica sempre varia acima da inflação oficial, tanto no Brasil quanto em países como os Estados Unidos ou em membros da União Europeia. Ou seja, se trata de um fenômeno mundial.

De uma maneira geral são quatro os itens considerados para a obtenção do índice. São eles:

  • Custos das operadoras

A análise dos custos das operadoras de planos de saúde é feita por meio das variações expressas em consultas, exames, terapias e internações.

  • Período de apuração

A cada apuração são considerados 12 meses em relação aos 12 meses imediatamente anteriores. Por exemplo, para fazer o cálculo do VCMH de dezembro de 2021, foi necessário medir a variação das despesas do ano de 2020 comparadas com as de 2019. O mesmo valerá para dezembro de 2022.

  • Amostra

Nesse cálculo, se considera uma amostra de aproximadamente 10% do total de beneficiários de planos individuais (antigos e novos) distribuídos em todas as regiões do país.  

  • Ponderação

O índice VCMH considera uma ponderação por padrão de plano (básico, intermediário, superior e executivo), o que possibilita uma mensuração mais exata da Inflação Médica. 

Isso significa que, se as vendas de um determinado padrão de plano crescerem muito mais do que as de outro padrão, isso pode resultar em uma VCMH maior ou menor do que o índice real, o que pode subestimar ou superestimar a VCMH.

A importância da Inflação Médica

A inflação médica é o mais importante indicador utilizado pelo mercado como referência sobre o comportamento dos custos no sistema de saúde suplementar. 

É importante ressaltar que inflação médica não é comparável com outros indicadores econômicos mais conhecidos, como o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA), que detecta a inflação geral do País. 

Isso se deve porque a inflação medida pelo IPCA avalia a variação dos preços de uma cesta de produtos, enquanto que a inflação médica varia em função tanto do aumento dos custos dos serviços de saúde quanto da frequência de utilização de consultas, exames e outros procedimentos.

Impacto sobre os planos de saúde

A variação dos custos médico-hospitalares (VCMH), apurada pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), ficou em 27,7% entre setembro de 2020 e setembro de 2021. Isso representa um recorde histórico, e uma marca bem acima do índice inflacionário do período, em torno de 10%.

O resultado desse indicador deve-se, sobretudo, a uma demanda reprimida no pós-pandemia. Esse reajuste teve seu impacto na variação para usuários de planos de saúde e a economia.

A inflação médica leva em conta fatores, como o aumento do preço de serviços de saúde e alta no uso de serviços como consultas, cirurgias, exames, internações e tratamentos, por exemplo.

Principal fator de custo na saúde, as internações tiveram grande oscilação durante o período analisado, chegando à alta de 21% da frequência de utilização e de 6,9% no custo médio, resultando na alta de 29,3% da VCMH do grupo.

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Ana Luzia Rodrigues

Formada em jornalismo há mais de 30 anos, já passou por diversas redações dos jornais do interior onde ocupou cargos como repórter e editora-chefe. Também já foi assessora de imprensa da Câmara Municipal de Teresópolis. Atuante no Jornal Contábil desde 2021.

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