Categorias: DestaquesNews Yahoo

Projeto aumenta imposto de ricos e isenta quem ganha até R$ 3,3 mil

Iniciativa do ex-senador Donizeti Nogueira está pronta para ser votada em comissão do Senado. Ganhos mensais de até R$ 3.300 seriam isentos. Alíquota máxima subiria para 40% e tabela passaria a ser atualizada de acordo com o INPC

Está pronto para entrar na pauta de votação da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado projeto de lei que muda a tabela do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) de modo a elevar a taxação dos contribuintes de maior renda e diminuir a incidência sobre aqueles de menor rendimento. O projeto sobe para oito o número das alíquotas do IRPF, com a máxima passando de 27,5% para 40% para quem ganha mais de R$ 49,5 mil. A faixa de isenção, em contrapartida, passaria a abranger contribuintes com renda mensal de até R$ 3.300, ante os R$ 1.903,98 da tabela em vigor. A relatora do projeto, senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), propôs substitutivo determinando que, a partir de 2019, as faixas de incidência do IR sejam corrigidas pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

O Projeto de Lei nº 517/2015, de autoria do ex-senador Donizeti Nogueira (PT-PI), é terminativo e, se aprovado pela CAE, não precisará ser ratificado pelo plenário do Senado, seguindo diretamente para a Câmara caso nenhum senador apresente recurso. Se for referendado pelos deputados e sancionado pelo presidente Michel Temer, as mudanças só poderiam valer para fatos geradores a partir do ano seguinte, ou seja, nada mudaria nas declarações de renda deste ano.

A proposta, no entanto, recebe críticas. “Não é hora de subir, mas de baixar alíquotas”, diz o ex-secretário da Receita Federal Everardo Maciel. “Isso é uma bobagem e vai na contramão do resto do mundo”, prossegue. “Existe um consenso internacional para reduzir alíquotas e aumentar a base de arrecadação, por questões de competitividade, para a criação de ambiente de negócio mais favorável e para atrair investidores”, diz ele, citando os exemplos de Estados Unidos, Reino Unido, Portugal, Itália.  Segundo Maciel, somente cerca de 7% da população economicamente ativa é tributada com IRPF no Brasil.

Para o diretor do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco), Pedro de La Rue, a proposta pode ir na contramão do objetivo do autor, e penalizar ainda mais a classe trabalhadora. “Na realidade, os que ganham mais não são tributados no Brasil. Empresários e acionistas que recebem lucros e dividendos são isentos. Se a legislação não for modificada para incluir os mais ricos, que recebem pró labore das empresas, vai penalizar a classe trabalhadora”, afirmou.

Defasagem

A proposta ainda não foi colocada na pauta preliminar da primeira sessão do ano da CAE, convocada pelo presidente, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), para a próxima terça-feira. Pelo calendário, o Congresso reabriria nesta quinta-feira, mas o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), presidente da Casa, convocou sessão solene de abertura para a próxima segunda-feira.

Estudo do Sindifisco aponta que a tabela atual do IRPF apresenta defasagem de 88,4% de 1996 até o fim de 2017, tomando por base a variação do IPCA no período. Se corrigido por esse percentual, o valor de isenção subiria dos atuais R$ 1.903,98 para R$ 3.556,56. “Essa diferença de R$ 1.652,58 penaliza, principalmente, aqueles contribuintes de mais baixa renda, que estariam na faixa de isenção, mas que são tributados, hoje, à alíquota de 7,5%”, diz o trabalho do Sindifisco.

Na justificativa ao projeto de lei, Donizeti Nogueira, que deixou o Senado em 2016, afirma que a diferença entre a menor alíquota, de 7,5%, e a mais elevada, de 27,5% do IRPF, “que não atende à justiça fiscal e acarreta a tributação de muitas pessoas que deveriam estar isentas”. Para ele, as mudanças não prejudicariam a arrecadação da União, “pois a redução do tributo devido, promovida para as classes mais baixas, será compensada com o aumento para as superiores”.

A senadora Vanessa Grazziotin diz que, para que seja mantida a neutralidade da carga tributária e o governo não perca arrecadação, é necessário corrigir automaticamente a tabela com base no INPC, que, ano passado ficou em 2,07%, o menor patamar desde 1994.

Via Correio Braziliense

loureiro

Postagens recentes

Deixou para a última hora seu IR 2026? Veja como declarar mais rápido

Saiba como usar a ferramenta automatizada pelo computador ou celular e confira quem está obrigado…

5 minutos atrás

40 horas e 2 folgas: Câmara aprova PEC que põe fim a jornada 6×1

Texto aprovado em dois turnos prevê redução gradual da jornada em até 14 meses e…

13 minutos atrás

Governo libera saldo residual do FGTS para 10,5 milhões de trabalhadores

Quem aderiu à modalidade de saque-aniversário ou foi demitido sem justa causa entre 2020 e…

16 horas atrás

Como a Trade24Seven acompanha as novas exigências de segurança digital dos brasileiros

A segurança digital se tornou um dos assuntos mais relevantes dentro do ambiente financeiro online.…

16 horas atrás

IR 2026: Saiba como declarar dependente incapaz após mudança de curatela

Regra permite que o mesmo dependente conste em duas declarações no ano de transição, mas…

17 horas atrás

MEI precisa ter certificado digital?

Tecnologia é indispensável para MEIs que emitem nota fiscal eletrônica ou possuem funcionários

18 horas atrás