No Brasil, é inegável o peso dos negócios familiares para a economia, 90% das empresas são familiares segundo o IBGE e apresentam rentabilidade 3% superior, em média, a de negócios não familiares (McKinsey). Entretanto, o que acontece quando os fundadores precisam ou querem se afastar? Apenas 11% delas têm um plano de sucessão robusto e documentado (PwC), 67% encerram suas atividades por problemas sucessórios (Dr. Nacir Sales/SEBRAE);
Uma empresa não pode morrer com a aposentadoria do seu fundador, ainda mais quando se trata de um negócio como um escritório de contabilidade, do qual muitas outras empresas dependem para o seu funcionamento. É muito comum que, com o afastamento do seu fundador, um escritório passe por esse dilema: quem levará os negócios adiante?
Com planejamento e metodologia, o processo de transição entre gerações pode ser mais tranquilo e eficiente. É muito importante que ele seja bem conduzido, afinal, as decisões tomadas nesse tipo de negócio têm um impacto significativo para os envolvidos na empresa, para os clientes e para a economia.
É muito comum que o fundador do escritório tenha dificuldade de se afastar do dia a dia, principalmente, nos momentos de maior pico, como o período da entrega do imposto de renda ou na entrada de uma nova obrigação fiscal. Em muitos casos ele centraliza o conhecimento sobre cada cliente, sabe como conseguir as informações certas e tem a percepção de que se ele agir, tudo será mais prático. É uma atitude que torna as coisas mais confortáveis para o dono, mas prejudica a sustentabilidade do negócio.
A transição precisa ser gradual e para isso o contador deve trazer seu sucessor aos poucos para o círculo de confiança dos clientes e dos funcionários. Pode até ser que o processo de transição comece alguns anos antes da aposentadoria do atual principal executivo do escritório.
Existe também um cenário no qual o sucessor ainda não está pronto para assumir e o fundador do escritório já precisa se ausentar, ou reduzir bastante sua presença. Em uma situação como essa, existe a possibilidade de contar com um profissional de mercado, capaz de dar continuidade ao trabalho enquanto o sucessor amadurece e se prepara para ocupar o cargo no futuro.
Esmeralda Queiroz, consultora do SEBRAE-SP, explica que “o curso natural é que o pai sinta segurança no filho, perceba que é a hora de delegar mais responsabilidade e aos poucos vá se afastando e deixando a empresa sob os cuidados do sucessor”. Há algumas características da natureza da relação entre o executivo e seu sucessor que podem ser vistas como oportunidades para uma sucessão bem executada:
- O dono conhece e confia no sucessor;
- Não existe uma barreira de hierarquia na comunicação, o que agiliza a tomada de decisão;
- Como o(a) filho(a) acompanha a rotina do pai há anos, por isso, existe uma familiaridade com as pressões do mercado e a maneira de reagir à elas;
- Existe um sentimento de compromisso entre as partes, em relação aos valores da empresa, resultados desejados e evolução do escritório contábil.
- Desafios da sucessão familiar na área da contabilidade:
- Os clientes vão precisar ganhar segurança no novo responsável;
- Os funcionários deverão respeitar a nova liderança;
- O novo dono pode precisar de respaldo por um tempo, diante de tamanha responsabilidade;
- Pode existir dificuldade para chegar a um consenso sobre a forma como o escritório é administrado, pois a nova geração chega com novas ideias e opiniões que podem divergir das do fundador.
De acordo com o empresário Jair Moggi, da Adigo Consultores, autor do livro – “Empresa de Família: Crescimento, Desenvolvimento, Perpetuidade”, a preparação da sucessão na empresa familiar deve ser feita o quanto antes para mitigar as dores do futuro. O SEBRAE complementa afirmando que, durante o processo, é preciso separar claramente os conceitos de família, propriedade e empresa, baseado em quatro pilares:
- Criação de Riqueza: gerar dividendos e valorizar o patrimônio;
- Visão Comum: orgulho de pertencer à família e ao negócio;
- Valorização do Coletivo: negócio acima dos interesses pessoais;
- Empreender: gerar empreendedores a cada geração
A preparação do sucessor para assumir a liderança
Para assumir o escritório contábil com propriedade e segurança, é fundamental que o sucessor conheça detalhadamente a rotina de trabalho e os desafios de todas as áreas, desde a triagem e conferência dos documentos das MPEs, passando pela parte fiscal, contábil, pessoal, entre outras.
Esse processo fará com que ela tenha uma visão completa do negócio, gerando credibilidade com funcionários e clientes. Em muitos casos, o fundador do escritório e seu sucessor trabalham lado a lado por um tempo estruturando um processo de transição gradual e transparente.
O principal desafio do sucessor é garantir que o escritório se manterá competitivo, mesmo sem a figura de seu fundador participando ativamente da operação. A nova liderança deve alimentar o espírito inovador, buscando informações sobre as tendências digitais e tecnologias disponíveis no mercado para acompanhar as mudanças, mantendo o padrão de atendimento ao cliente.
Com esse foco em inovação, é possível, por exemplo, expandir a atuação do escritório implantando um modelo de escritório de contabilidade online e assim, atender MPEs de diversos estados sem, necessariamente, realizar mais investimentos.
Também é papel da nova geração contribuir para criar um novo modelo de negócio dentro da área contábil. Você sabia, por exemplo, que a maior empresa de taxi do mundo (Uber) não tem sequer um carro em seu nome? Que o principal provedor global de hospedagem (Airbnb) também não é proprietário de um único hotel ou casa de aluguel? São os modelos chamados disruptivos, que criam uma forma totalmente diferente de fazer negócio, focando na necessidade das pessoas – e, no caso dos dois exemplos citados, com um custo infinitamente menor do que os modelos tradicionais de hospedagem e transporte executivo. É esse pensamento que se espera dos novos líderes do mercado de contabilidade.
Etapas de amadurecimento do sucessor
- Competência técnica, com formação na área e cursos de especialização;
- Experiência externa em outros escritórios de contabilidade;
- Vivência em todas as áreas do escritório;
- Visão estratégica, com foco em produtividade e competitividade;
- Capacidade de aprendizado, inovação e evolução constante.
Como você viu, a sucessão é um tema sério que exige preparo tanto do fundador do escritório quanto do seu sucessor, afinal, a credibilidade da empresa levou anos para ser construída e é o maior patrimônio que se pode herdar.
Por outro lado, o processo é uma excelente oportunidade para avaliar como o seu escritório contábil vem atuando e como pode melhorar sua atuação, considerando as novas ideias e tecnologias propostas pela nova geração.
Matéria inspirada em: https://contaazul.com/contabilidade/blog/como-preparar-sucessao-meu-escritorio-contabil/
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Marcelo dos Santos
Formado em Ciência Contábeis, Marcelo dos Santos tem MBA em Administração Global pela Universidade Independente de Lisboa e MBA pela Fundação Getúlio Vargas. Ganhou diversos prêmios como o Marketing Company on Technology Marketing e Grandes Sacadas de Marketing. Atualmente, é Sócio & Head do ContaAzul para Contadores.
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