Um recente levantamento realizado pela Associação Brasileira de Estágios (Abres) revela um aumento significativo na participação de estagiários com mais de 50 anos no estado de São Paulo. Entre os anos de 2023 e 2024, o número de indivíduos nessa faixa etária que ingressaram em programas de estágio cresceu impressionantes 278%, passando de 330 para 1.250.
André Marcelo Soave, um exemplo desse fenômeno, é um estudante de 52 anos que, após uma carreira dedicada à administração da empresa familiar, decidiu se reinventar e seguir seu sonho de infância ao cursar química. “Nunca é tarde, nunca é tarde. A gente tem que quebrar essa barreira de ter idade para fazer as coisas”, afirma.
De acordo com o presidente da Abres, Carlos Henrique Mencaci, a transformação na qualidade de vida das pessoas mais velhas tem sido um fator crucial para essa mudança. A pandemia trouxe à tona novas oportunidades educacionais, especialmente através do ensino a distância, que se tornou uma alternativa viável e acessível. Isso permitiu que muitos retornassem aos estudos e buscassem novas experiências profissionais.
Mencaci também destaca a importância de os indivíduos que desejam retornar ao mercado se prepararem adequadamente para maximizar suas chances de emprego. Ele enfatiza a relevância da experiência prévia desses candidatos, sugerindo que eles aproveitem suas vivências para facilitar a transição para novos campos.
Os cursos mais procurados por essa nova leva de estagiários incluem Pedagogia, Administração, Direito, Educação Física, Engenharia Civil, Ciências Contábeis e Psicologia. Nelson Maniasso, coordenador do curso de Processos Químicos da Fatec em Campinas, confirma a crescente presença de alunos acima dos 50 anos. Na instituição, aproximadamente 50 estudantes dessa faixa etária estão matriculados, representando cerca de 4% do total.
Maniasso observa que esses alunos geralmente trazem experiências diversificadas e uma forte motivação para aprender e enfrentar novos desafios. Ele ressalta que essas características contribuem positivamente para o ambiente acadêmico, pois eles tendem a ser focados e tranquilos durante os estudos.
A trajetória de André é emblemática. Ele iniciou sua jornada acadêmica em contabilidade e economia na juventude, mas após o fechamento da empresa familiar, decidiu seguir seu verdadeiro sonho: estudar química. Com determinação e apoio dos colegas, ele superou as dificuldades iniciais e atualmente atua como auxiliar no departamento de Química da faculdade onde estuda. Seus planos incluem uma iniciação científica e uma carreira na área acadêmica.
“O sonho, a gente tem que correr atrás; não tem tempo para esperar”, reflete André, enfatizando a importância da busca por realizações pessoais em qualquer fase da vida. Para ele e muitos outros como ele, nunca é tarde para aprender ou realizar seus objetivos.
Com este crescimento notável no número de estagiários mais velhos, São Paulo está testemunhando uma mudança significativa nas dinâmicas do mercado de trabalho e na educação continuada.