Com o aumento do desemprego no país, o empreendedorismo por necessidade não para de subir e muitos desses empreendedores estão sofrendo para se manter em dia com a Receita.
No tempo em que a economia andava aquecida, Adriana começou a produzir festas. Até abriu um canal na internet, onde dá dicas de como decorar aniversários e casamentos. Adriana não tem patrão nem cumpre horários. Mas, com a crise, os clientes desapareceram.
“Fica um pouco dificil e, então, você dá prioridade para outras contas que vão cortar, conta de luz, conta de água e alimentação. Aí foi ficando um pouco de lado o MEI”, conta a autônoma Adriana Quintanilha.
O MEI, programa do microempreendedor individual, tem 6,2 milhões de inscritos. Só entre janeiro e julho deste ano foram abertos 953 mil novos negócios desse tipo, uma alta de 7,2% em relação ao mesmo período do ano passado, é o chamado empreendedorismo de necessidade, quando faltam oportunidades no mercado formal de trabalho, e hoje já representam 79,5% de todos as novas empresas abertas no país.
Para ser um empreendedor individual, é preciso ganhar até R$ 60 mil por ano e pagar uma contribuição mensal de até 50 reais. A empresa pode emitir CNPJ, pedir empréstimo, emitir nota fiscal e o trabalhador passa a ter direito à aposentadoria e a outros benefícios como licença-maternidade.
Mas, para Adriana e mais 2,5 milhões de pessoas, o fim da informalidade trouxe outro problema: a inadimplência. Ela estava devendo 15 parcelas, procurou o Sebrae e conseguiu renegociar a dívida.
“Agora eu pago uma atual, para não deixar atrasar mais, e venho aqui e vejo aqui qual estou devendo e pago uma lá de trás e, assim, vou atualizando a minha dívida sem deixar acumular mais dívida”, diz a autônoma Adriana Quintanilha.
Neste ano o calote atingiu níveis altíssimos. A estatística da inadimplência é um alerta: seis em cada dez microempreendedores individuais estão devendo para a Receita Federal. O Sebrae diz que a crise ajudou a aumentar a taxa de inadimplência e que é preciso conscientizar os empreendedores sobre a importância de ficar com as contas em dia.
“Existe uma cultura no Brasil às vezes de não pagamento de imposto, existem ambientes locais que às vezes levam o empreendedor a acreditar que se ele não pagar não haverá problema. Ele volta à situação de informalidade anterior. Esse é o risco que ele está correndo”, aponta Cezar Vasquez, diretor-superintendente do Sebrae-RJ. Via G1
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