Advocacia-Geral cria armas para cerco a inadimplentes com medidas duras

Com a Resolução 27, a Advocacia-Geral do Estado (AGE) entregou ao governador Romeu Zema poderes para cerco implacável ao patrimônio dos inadimplentes na Dívida Ativa do Estado, de R$ 58,6 bilhões. Ordem é bloquear de cartão de crédito a avião. De saideira, a AGE armou o cenário para um provável arrocho fiscal, a opção diante de um fracasso rotundo. Esta última frente, só virá se o governador optar por não agir como político apenas, e encarar as urnas como reformador da máquina pública.

Não há outra opção para o Governo Zema. Na virada 2019/2020, ele terá uma cratera orçamentária de R$ 49,677 bilhões. Contidos nele, estão o rombo transferido para 2019, de R$ 34,5 bilhões, mais o déficit orçamentário, de R$ 15,177 bilhões, para o exercício fiscal seguinte. O déficit na peça orçamentária da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) é de R$ 11,3 bilhões (receitas estimadas de R$ 102,2 bilhões e, despesas, de R$ 113,5 bilhões). Ao valor somam-se penduricalhos fiscais não realizados de R$ 3,874 bilhões (recursos do Fecidat para pagamentos dos inativos, direitos creditórios/securitização, operações financeiras para cobrir precatórios e receita previdenciária não realizada).

Advocacia-Geral ataca por terra e ar

Para mostrar a cara de uma operação casada, cerco por receitas e arrocho fiscal, o Governo Zema deu o primeiro passo: a Resolução Nº 27/2019, de 31 de agosto, da Advocacia-Geral do Estado (AGE), aplicável ao Contencioso Tributário. Constatado que há uma concentração de 80% (R$ 46,88 bilhões) em valor acima de R$ 1 milhão, e “diante da necessidade de racionalização do trabalho e maior efetividade do resgate da dívida ativa”, a AGE determina as “seguintes pesquisas de bens” dos inadimplentes:

Até R$ 500 mil – Detran e Cartório de Registro de Imóveis (CRI)

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De R$ 500 mil a R$ 1 milhão – Detran, CRI, Secretaria da Receita Federal – SRF, e penhora online

Acima de R$ 1 milhão – Detran, CRI, SRF, penhora online, penhora junto à Administradora de Cartão de Crédito e Agência Nacional de Aviação Civil – ANAC, penhora de faturamento, pedido de indisponibilidade de bens, dentre outros, caso as peculiaridades do contribuinte o recomendem

“Parágrafo único – Realizadas as pesquisas previstas acima, e não encontrados bens, deverá ser requerida a suspensão da execução fiscal com base no artigo 40 da Lei nº 6.830/1980”.

97,5% são dívidas de ICMS

O cenário não aceita mais cortina de fumaça da administração do Governo de Minas. Só resta ir à caça dos inadimplentes. Isso porque o sonho de consumo fiscal, gestado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o do “direito” à bolada de R$ 135 bilhões, na Lei Kandir, é utopia. Continuará conversa com Papai Noel até mesmo se baixar a rubrica para menos da metade, com recebimento em 30, 40 anos. O Governo Zema, então, parece querer ficar de frente com a parte viva dos devedores daqueles R$ 58,6 bilhões. O tamanho do calote foi informado ao ALÉM DO FATO pela assessoria da Secretaria da Fazenda, destacando que 97,5% correspondem aos créditos com Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Àqueles que acharem o governador um político fofo e, de forma espontânea, baterem no guichê do Fisco, poderão receber descontos de até 20%, além parcelamentos com prazos de pai para filho. Aos demais, a cobrança judicial segue o curso da Constituição e da espada. Não há sinais de que Zema terá um Relatório de Gestão Fiscal muito diferente de 2018, último ano do Governo Fernando Pimentel (PT)

FonteL

Ricardo de Freitas

Ricardo de Freitas não é apenas o CEO e Jornalista do Portal Jornal Contábil, mas também possui uma sólida trajetória como principal executivo e consultor de grandes empresas de software no Brasil. Sua experiência no setor de tecnologia, adquirida até 2013, o proporcionou uma visão estratégica sobre as necessidades e desafios das empresas. Ainda em 2010, demonstrou sua expertise em comunicação e negócios ao lançar com sucesso o livro "A Revolução de Marketing para Empresas de Contabilidade", uma obra que se tornou referência para o setor contábil em busca de novas abordagens de marketing e relacionamento com clientes. Sua liderança no Jornal Contábil, portanto, é enriquecida por uma compreensão multifacetada do mundo empresarial, unindo tecnologia, gestão e comunicação estratégica. Além disso é CEO da FiscalTalks Inteligência Artificial, onde desenvolve vários projetos de IA para diversas areas.

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