Análise: 3 lições que podemos tirar das estratégias industriais da China para 2025

O que as empresas brasileiras podem aprender com as estratégias industriais da China? Aparentemente, muita coisa deve mudar na abordagem do gigante asiático com relação às suas maiores empresas.

Em tempos em que o presidente Xi Jinping contorna uma relação comercial delicada com o presidente norte-americano Donald Trump, é hora de compreender mais detalhes sobre a estratégia que foi revelada ainda em 2015. Batizada de “Made in China 2025”, o projeto ambicioso dos chineses revela lições valiosas que podem ser empregadas na indústria global.

Lição #1: Fazer coisas é o que importa

Vivemos uma época em que muitas grandes empresas estão deixando de lado a manufatura de certos itens para apostar em serviços. De fato, essa é uma tendência da indústria mundial tão clara quanto a mudança da agricultura para a industrialização. Nos Estados Unidos, o setor de manufatura respondia por 30% da economia norte-americana na década de 50 e hoje não passa de 11%. Ainda assim, o país continua sendo o líder da economia global.

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Diferentemente dos EUA, a China construiu uma sólida base industrial e seus cidadãos não gozam do mesmo padrão de vida que os estadunidenses. Por conta disso, apostar que uma migração contínua para os serviços seria um caminho natural pode decepcionar muita gente. O crescimento das indústrias é ainda um dos pilares mais fortes para o futuro do país.

Em muitos países, como no Japão ou na Alemanha, a manufatura continua tendo um papel forte na economia e esse cenário não deve mudar tão cedo. Por isso, a China entende que para o país crescer não é necessário acompanhar esse movimento e migrar em massa para o setor de serviços. Para eles, fazer coisas é o que continua importando.

Lição #2: Como faremos as coisas importa ainda mais

A ideia de que o desenvolvimento de software, única e exclusivamente, é o que direciona os rumos do mundo na atualidade não é de todo verdadeira. Em outras palavras, podemos dizer que o software pode até ditar os rumos, mas são as máquinas e os itens que necessitam de fabricação que os levam para esses novos caminhos. Nem tudo pode ser resumido às possibilidades de virtualização.

A revolução digital da indústria 4.0  tem mudado a forma de como as indústrias fabricam os seus produtos, inclusive no Brasil. O uso de impressoras 3D, por exemplo, é uma grande amostra de como a evolução de software pode resultar em produtos físicos de melhor qualidade, mas ainda assim reais. E muitas vezes não podemos mensurar a evolução do software sem as coisas que são resultado deles.

A transformação da economia passa pela manufatura e encontrar novas formas, mais eficientes e menos onerosas, de fabricar coisas é um dos caminhos que precisa ser trilhado pelas indústrias. Exploração de novas formas e uso de materiais inéditos são apenas algumas dessas variáveis. Sairá na frente aquele que desenhar, prototipar, testar e fabricar os melhores itens.

Lição #3: Faça suas apostas em alta tecnologia e infraestrutura

Para continuar sendo o gigante que é e crescer ainda mais se possível, a China está apostando em setores de alta tecnologia em manufatura como um diferencial de desenvolvimento. Biotecnologia, robótica, engenharia aeroespacial e pesquisa de novos materiais estão entre os pontos-chave para o país asiático. Na opinião deles, é dessas áreas que virão os principais itens que vão fomentar o desenvolvimento.

A ideia por trás disso não é apenas assumir o controle do topo da cadeia, mas também adicionar valor àquilo que é produzido no país. Em vez de fábricas que apostam na manufatura de itens com baixo valor agregado, a proposta é qualificar a mão de obra de forma a assumir a ponta no desenvolvimento de itens de alta tecnologia.

Para isso, serão necessários investimentos em infraestrutura. Só será possível obter crescimento e liderar esses movimentos de manufatura se as indústrias tiverem as condições adequadas para o pleno desenvolvimento. Inovações digitais são importantes, é claro, mas sistemas de transporte, meios de comunicação e geração de energia estarão no topo da pauta.

Será que alguns desses conselhos também não podem ser aplicados à sua indústria?

Parceiro: SAGE

Ricardo de Freitas

Ricardo de Freitas não é apenas o CEO e Jornalista do Portal Jornal Contábil, mas também possui uma sólida trajetória como principal executivo e consultor de grandes empresas de software no Brasil. Sua experiência no setor de tecnologia, adquirida até 2013, o proporcionou uma visão estratégica sobre as necessidades e desafios das empresas. Ainda em 2010, demonstrou sua expertise em comunicação e negócios ao lançar com sucesso o livro "A Revolução de Marketing para Empresas de Contabilidade", uma obra que se tornou referência para o setor contábil em busca de novas abordagens de marketing e relacionamento com clientes. Sua liderança no Jornal Contábil, portanto, é enriquecida por uma compreensão multifacetada do mundo empresarial, unindo tecnologia, gestão e comunicação estratégica. Além disso é CEO da FiscalTalks Inteligência Artificial, onde desenvolve vários projetos de IA para diversas areas.

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