Grupo Petrópolis dono da Cerveja Itaipava pede recuperação judicial

Mais uma empresa que se vê às voltas por não pagar suas dívidas. Dessa vez trata-se do Grupo Petrópolis, dono de marcas de cervejas como Itaipava, Crystal, Lokal, Black Princess, Petra. A empresa conseguiu na Justiça tutela cautelar o bloqueio das execuções de dívidas, numa medida de urgência para a recuperação judicial.

As dívidas da companhia somam R$ 4,2 bilhões, segundo sua defesa. Desse total, 48% são financeiras e 52% com fornecedores e terceiros. O juiz já concedeu a tutela e nomeou os administradores judiciais. Serão a Preserva-Ação e o Zveiter Advogados, a mesma dupla responsável por Americanas.

Leia também: Lojas Americanas: Justiça Suspende Pagamento A 1,3 Mil Credores 

Argumentos

Na petição, a companhia diz que o volume de venda caiu de 31,2 milhões de hectolitros em 2020 para 26,4 milhões em 2021 e 24,1 milhões em 2022, com queda de 17% na receita do grupo. 

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A companhia diz que, até o final de março, precisa de R$ 360 milhões em capital de giro e, até 10 de abril, esse montante sobe para R$ 580 milhões, quando o caixa já ficaria no negativo.

O pedido de urgência aconteceu porque uma parcela de R$ 105 milhões venceu na segunda-feira, dia 27 de março. Todavia, além da suspensão de cobrança de dívida, o grupo Petrópolis pede a liberação de recursos depositados em bancos como Santander, BMG e Daycoval.

Representada pelos escritórios Salomão Sociedade de Advogados e Galdino & Coelho, o Grupo Petrópolis comunica em sua petição o seguinte: “A combinação desses fatores, exógenos e alheios ao controle das requerentes, gerou uma crise de liquidez sem precedentes no Grupo Petrópolis, que comprometeu seu fluxo de caixa a ponto de obrigá-lo a buscar a proteção legal com o ajuizamento deste pedido de recuperação judicial”.

Walter Faria: Dono do Grupo Petrópolis

Walter Faria é o empresário que adquiriu o Grupo Petrópolis em 1998 e, 15 anos depois, se tornou o vice-líder nacional no ramo. Enquanto alguns creditam a ascensão meteórica do negócio ao marketing agressivo de WF, outros levantam suspeitas sobre a legalidade de suas ações.

Em 2019, Walter Faria foi um dos principais alvos da Lava Jato. A acusação era de lavagem de dinheiro para a Odebrecht por meio de contas no exterior e doações eleitorais.

Segundo o Ministério Público Federal, o empresário teria usado uma conta na Suíça para intermediar o repasse de mais de US$ 3 milhões de propina relacionadas aos contratos dos navios-sonda da Petrobras.

Após 5 dias foragido, o dono do Grupo Petrópolis se entregou à Polícia Federal, em Curitiba. Para cumprir ordem de prisão preventiva na Operação Rock City, fase 62 da Lava Jato.

O Ministério Público Federal no Paraná denunciou Walter Faria e também Vanuê Antônio da Silva Faria, sobrinho de Walter, e Nelson de Oliveira por 12 crimes de lavagem de dinheiro.

Algumas Marcas de Produtos do Grupo Petrópolis

Itaipava, Cabaré, Petra, Crystal, Lokal, Black Princess, Weltenburger, Brassaria Ampolis (com os rótulos Cacildis, Biritis, Ditriguis e Forévis), vodkas Blue Spirit Ice e Nordka, Cabaré Ice, energéticos TNT Energy Drink e Magneto, refrigerante It!, isotônico TNT Sports Drink

Ana Luzia Rodrigues

Formada em jornalismo há mais de 30 anos, já passou por diversas redações dos jornais do interior onde ocupou cargos como repórter e editora-chefe. Também já foi assessora de imprensa da Câmara Municipal de Teresópolis. Atuante no Jornal Contábil desde 2021.

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