Combustíveis têm preços elevados e risco de desabastecimento em novembro

Cada vez que o brasileiro vai abastecer seu carro leva um susto com o preço nas bombas. O litro da gasolina subiu, em média, 3.33% nas duas últimas semanas. Esta é a 11ª semana consecutiva que a gasolina passa por alterações de preço. O preço médio está girando em torno de R% 6,30, contudo em pelo menos seis estados do país, a gasolina já pode ser encontrada a mais de R$ 7,00.

E para piorar ainda mais essa situação, essa semana a Petrobrás anunciou que poderá haver desabastecimento nos postos. A justificativa da empresa é de que a demanda dos distribuidores por diesel aumentou 20% e a de gasolina, 10%, em relação ao mesmo período de 2019. Uma situação incomum de pedidos muito acima dos meses anteriores.

Distribuidoras consideram importação

Diante da possibilidade de desabastecimento no país, as distribuidoras não descartam a possibilidade de importar combustíveis para suprir demanda não atendida pela Petrobras. 

De acordo com a Associação das Distribuidoras de Combustíveis (Brasilcom), que representa mais de 40 distribuidoras regionais de combustíveis, mesmo que a Petrobrás não consiga atender a todos os pedidos feitos pelas distribuidoras, sempre permanece a possibilidade de importação de modo a suprir o que parece ser a deficiência por incapacidade de produção.

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Segundo informam as distribuidoras, as reduções promovidas pela Petrobras alcançam, em alguns casos, 50% do volume solicitado para compra. Essa medida colocaria o país em situação de potencial desabastecimento. A importação seria uma alternativa para evitar a falta de combustível. Isso, contudo, alerta a Brasilcom, resultaria em alta ainda mais acentuada nos preços nas bombas. Ou seja, quem vai pagar essa conta é o consumidor.

Congelamento do ICMS nos estados

O preço dos combustíveis varia de acordo com as cotações do petróleo no mercado internacional e do dólar. A disparidade de valor entre os estados também acontece devido à tributação diferenciada das unidades federativas e dos custos logísticos na distribuição dos combustíveis pelas regiões.

A nova alta de preços ocorre no momento em que as autoridades discutem um projeto que altera a tributação do ICMS (imposto que incide sobre a circulação de mercadorias e serviços) nos combustíveis.

Hoje, o imposto corresponde a um percentual entre 25% e 34% incidente sobre o preço da venda da gasolina e de 12% a 25% sobre o diesel. A alíquota incide sobre o chamado Preço Médio Ponderado ao Consumidor Final (PMPF) – valor de referência calculado pelos entes a cada 15 dias.

Caso a nova regra entre em vigor, o ICMS cobrado em cada estado será fixo e calculado com base no preço médio dos combustíveis nos dois anos anteriores. Mas, para isso, ainda precisa passar pelo Senado Federal e ser sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Resta à população aguardar os próximos capítulos dessa novela.

Ana Luzia Rodrigues

Formada em jornalismo há mais de 30 anos, já passou por diversas redações dos jornais do interior onde ocupou cargos como repórter e editora-chefe. Também já foi assessora de imprensa da Câmara Municipal de Teresópolis. Atuante no Jornal Contábil desde 2021.

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