Instituições financeiras como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil vão priorizar no ano divulgação de suas carteiras simplificadas de renda fixa
Os fundos de renda fixa da categoria simples e o título público Tesouro Selic tendem a ser as aplicações financeiras mais recomendadas no cenário de 2016 para pessoas físicas do varejo que desejam menor risco, liquidez diária e rentabilidade com baixo ticket de entrada.
Para a superintendente nacional de desenvolvimento de produtos de ativos de terceiros da Caixa Econômica Federal, Simone Aparecida Pinheiro dos Santos, o fundo de renda fixa da categoria simples – no atual cenário de juros elevados – poderá garantir uma rentabilidade que protegerá a pessoa física da inflação, mesmo com a tributação maior do imposto de renda (IR) sobre ganhos de capital no curto prazo.
“Se a pessoa física ficar menos de seis meses na aplicação, a alíquota [do IR] é de 22,5% sobre o rendimento, ainda assim, o cotista consegue se proteger da inflação”, contextualiza a superintendente da Caixa.
Ela contou que o fundo Caixa FI RF Simples Longo Prazo lançado em 15 de outubro do ano passado teve “expressiva” atração até o momento. “A captação já alcançou R$ 1,1 bilhão e registramos a entrada de 78,6 mil cotistas. Até o final de 2016, a expectativa é de um patrimônio de R$ 3 bilhões”, diz.
Simone explicou que a carteira simplificada da Caixa possui taxa de administração de 1,5% ao ano, com ticket de entrada de apenas R$ 50. “Dada essa taxa [de administração] a rentabilidade ficou em torno de 89% de DI”, disse.
Em relação a competição com outras aplicações financeiras disponíveis no mercado a superintendente lembrou que o fundo simples da Caixa possui liquidez diária e baixo risco de crédito, além da facilidade na adesão pela internet. “Tivemos ingressos e o interesse do público mais jovem em canais digitais. Não são todos os clientes que querem ir até uma agência. Entre as vantagens, além da liquidez diária [capacidade de resgate rápido], o cotista também tem a facilidade do resgate automático [do investimento para a conta corrente] para não ficar no negativo”, enumerou Simone.
Em termos de comodidade, a superintendente falou da competição do fundo simples com o Tesouro Direto, o programa de compra e venda direta de títulos públicos pela internet. “Para fazer uma aplicação direta, o investidor pessoa física precisa de conhecimento [para selecionar o título mais adequado] . No fundo, ele [o cotista] coloca o recurso a disposição de um gestor com olhar profissional sobre os ativos”, comparou.
Na mesma linha de argumentação, o gerente executivo da BB DTVM [gestora do Banco do Brasil, Rodrigo Ayub, ressaltou que o fundo de investimento tem um profissional [o gestor] que acompanha o dia a dia da carteira de renda fixa. “A aplicação no Tesouro Direto exige uma operacionalização. No fundo há conveniência ao cliente. E o renda fixa simples é um produto de fácil entendimento”, destacou o executivo.
Ayub considerou que para investidores com outro perfil de risco menos conservador, há outras alternativas. “O Banco do Brasil tem uma família completa de fundos com baixo ticket de entrada: renda fixa prefixada, atrelados à inflação e multimercados”, disse.
Simone também citou sobre o fundo RF Geração Jovem, em ativos de crédito privado, com ticket de R$ 50. “É para um público com maior horizonte de prazo”, avisou a executiva.
Cenário de elevação
A taxa básica de juros [Selic] está atualmente em 14,25% ao ano e a expectativa do mercado é de uma nova elevação na próxima do Comitê de Política Monetária (Copom) na próxima quarta-feira com o objetivo de convergir a inflação para a meta (4,5% ao ano) do Banco Central até 2017.
“O Tesouro Selic é muito competitivo em relação ao fundo simples por causa do menor custo de administração. A custódia da BM&FBovespa fica em 0,30% ao ano”, afirmou o diretor do Easynvest, Amerson Magalhães. A corretora isenta clientes da taxa de administração no Tesouro Direto.
Ernani Fagundes
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