Fusões e aquisições de empresas aumentam em 50% durante a pandemia

Antes de imaginarmos um cenário sem precedentes, com o advento da pandemia do coronavírus, as perspectivas econômicas para 2020 já demonstravam uma tendência de que o mercado de fusões e aquisições de empresas (F&A, ou M&A do inglês “Mergers and Acquisitions”) ficasse cada vez mais aquecido no Brasil, seguindo a escalada dos anos anteriores.

Os impactos iniciais da pandemia causaram a paralisação ou adiamento de transações que estavam em andamento. Os reflexos para algumas atividades empresariais foram mais significativos do que para outros mercados, situações imprevisíveis que causaram um verdadeiro represamento de operações no primeiro semestre de 2020.

Minimamente avaliados e precificados os reflexos do coronavírus, os investidores já começaram a considerar novos investimentos. Os acordos previamente negociados ou em estágio avançado, mesmo que lentamente, progrediram e recuperaram o número de transações no segundo semestre do ano passado, bem como no decorrer de 2021.

Outro fator que colaborou para o crescimento das operações de fusões e aquisições é especialmente ligado aos efeitos da pandemia nas companhias, que buscaram uma rápida adaptação ao novo ambiente virtual de negócios e atividades, reflexo das medidas de isolamento social. Isso é observado especialmente no mercado de tecnologia, pois são as empresas de tecnologia disruptivas, como companhias de internet, ligadas ao comércio eletrônico, fintechs e de atendimento remoto na área de saúde, que impulsionaram recentes operações de compra e fusões.

O mercado doméstico de fusões e aquisições esteve e continua aquecido, e a tendência é que essas operações continuem crescendo, apresentando inclusive um aumento considerável em relação a anos anteriores. A expectativa é de grandes corporações busquem se consolidar, adquirindo quem tiver potencial para agregar.

No cenário internacional, aliado com a desvalorização do Real (R$), ainda é esperada uma retomada da presença de estrangeiros no Brasil, que tinham se afastado das negociações no ano passado, quando a pandemia teve início, para focarem na sobrevivência e no mercado principal de atuação. Com o arrefecimento da intensidade da crise, as empresas estão voltando a direcionar recursos e esforços para novos projetos.

Além disso, com algumas companhias capitalizadas e outras em sensível dificuldade por conta da crise causada pelo coronavírus, mesmo com grande potencial de retorno econômico, nos defrontamos com um ambiente favorável para aumento de compras e fusões mais agressivas. A estruturação dessas transações pode figurar como uma opção estratégica tanto para empresas que estão em dificuldades financeiras, bem como para Companhias ou Fundos quem estejam em plano de expansão e buscando investimentos arrojados.

De modo geral, o objetivo dessas transações é aumentar a produtividade e a eficiência das empresas envolvidas na negociação, maximizando resultados e agregando vantagens estratégicas, como ganhos em escala, complementaridade de recursos, expansão, diversificação e/ou redução de custo.

Por Bruno Gameiro, advogado especialista em direito empresarial

Leonardo Grandchamp

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