Golpe da restituição do IR volta a circular antes do 2º lote de pagamentos / imagem: freepik
Com o segundo lote da restituição do Imposto de Renda previsto para 30 de junho, as mensagens falsas voltaram a circular. SMS, e-mail, anúncio patrocinado no Google, post no TikTok e no Instagram. O roteiro muda, mas o objetivo é sempre o mesmo: chegar primeiro que a Receita Federal.
O primeiro lote, pago em 29 de maio, contemplou 8,7 milhões de contribuintes e somou R$ 16 bilhões, o maior já liberado. Com o segundo, a expectativa é que mais de 80% das restituições do ano já estejam pagas. É esse volume de dinheiro esperado que aquece o mercado dos golpistas.
A mensagem mais comum diz que os dados bancários cadastrados na declaração estão errados e que, sem correção, o dinheiro não vai ser depositado. O disparo é em massa. Quem não tem restituição a receber ignora. Quem está esperando o crédito tende a clicar.
Do outro lado, pedem CPF e código de acesso ao Gov.br, com a promessa de ajudar a corrigir a conta. Na prática, estão capturando tudo via phishing. Com esses dados, conseguem contratar empréstimos em nome da vítima ou acessar o perfil Gov.br para puxar mais informações.
Tem ainda outra variação: cobram uma taxa para “regularizar” o cadastro. Quem tem R$ 1 mil a receber acaba pagando R$ 100 sem perceber que o golpe não tem nenhuma relação com o Imposto de Renda.
Parte das fraudes começa numa busca comum no Google. O contribuinte pesquisa informações sobre a própria restituição e confia no primeiro resultado que aparece. O problema é que golpistas pagam por links patrocinados para ficar no topo por algumas horas.
A página promete antecipar o dinheiro no mesmo dia e pede uma série de dados que vão direto para os criminosos. Os sites são cuidadosos: mesmas cores, mesma fonte, logo parecida com a oficial. O que entrega é o endereço na barra do navegador.
Antes concentrados no SMS, os golpes migraram para onde o público foi. TikTok e Instagram viraram canais frequentes, com anúncios genéricos que usam só a logo da Receita.
Não tem perfil fechado. As vítimas se distribuem pela população economicamente ativa, sem recorte claro de idade ou escolaridade. O fator comum é comportamental: a urgência criada pelo golpista. “Se você não fizer hoje, vai perder.” Quem cede é quem deixa a velocidade do fraudador ditar a decisão.
Nunca clicar em link recebido por mensagem. Digitar o endereço direto no navegador: gov.br/receitafederal. A Receita Federal não entra em contato por SMS, WhatsApp ou e-mail para pedir correção de dados ou cobrar taxa. Não existe exceção a essa regra.
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