Categorias: Destaques

Governo vive situação dramática

Com os números das contas nacionais trimestrais publicados na sexta-feira 28, o quinquênio da presidenta Dilma Rousseff vai provavelmente encerrar-se com um medíocre crescimento total do PIB da ordem de 6%, ou seja, qualquer coisa como 1,2% ao ano.

Compara-se muito mal ao crescimento da economia mundial no mesmo período, de algo em torno de 19%.

Se considerarmos que o crescimento da população brasileira no período foi de 0,9% ao ano, o crescimento per capita da nossa renda terá sido de apenas 0,3% ao ano. Isso nos afastou dramaticamente do crescimento das economias emergentes.

Mesmo antes da posse do segundo mandato, era visível a necessidade de um profundo “ajuste fiscal estrutural”. Em 2014, o déficit fiscal dobrou (6,2% do PIB diante de 3,1% em 2013) e o superávit primário virou um déficit primário de 0,6% do PIB.

⚠️ ACESSO EXCLUSIVO
Você está perdendo conteúdos exclusivos
Acesso sem anúncios + conteúdos especiais e privados.
R$4,90
Teste por 30 dias • depois R$9,90/mês
LIBERAR MEU ACESSO AGORA
✔ Cancelamento fácil • Sem compromisso

Disso resultou um aumento de 6% na relação dívida bruta/PIB, além de dúvidas sobre a sua sustentabilidade, com todas as suas consequências devastadoras. A presidenta reeleita reconheceu, intimamente, tal fato e selecionou um competente ministro para fazê-lo. Por que, então, não funcionou?

A resposta é de múltipla escolha. Temos a impressão de que um conjunto de fatores previsíveis, mas não considerados, gerou o sentimento hoje generalizado na sociedade brasileira de que, por mais honesto e bem-intencionado que tenha sido o seu esforço, Dilma conduziu o País a um impasse social, econômico e político.

1. A falta de reconhecimento imediato e explícito pela presidenta de que subestimara, sistematicamente, os inconvenientes: a) do seu excesso de voluntarismo; b) das tentativas de violar as identidades da contabilidade nacional;

c) da recusa de usar o sistema de preços na legítima busca da “modicidade tarifária” à custa de leilões malfeitos, das inevitáveis reestruturações contratuais e da garantia de financiamento público; d) do abuso do direito da maioria nas empresas estatais à custa da violação do direito da minoria e, finalmente, e) da tragédia do controle de preços, particularmente da taxa de câmbio, para o ilusório controle da inflação.

Mas por que esse reconhecimento era imprescindível? Porque só ele poderia racionalizar a mudança de 180 graus da política econômica, que Dilma fez com coragem e a honesta intenção de voltar a produzir o crescimento social e econômico inclusivo e equânime.

Quem precisava convencer a sociedade da mudança do seu entendimento sobre a política econômica não era o ministro “sombra” da Fazenda, mas o titular verdadeiro, isto é, a própria presidenta.

Essa era a condição necessária, ainda que não suficiente, para criar as condições mínimas de credibilidade da nova administração, legitimamente eleita, gostem ou não os seus opositores.

2. Criou-se, assim, a condição suficiente, se não tomarmos as medidas necessárias à subordinação das despesas ordinárias correntes do governo – que dependem de vinculações e indexações destruidoras da flexibilidade da administração, à sua receita ordinária corrente, dependente, basicamente, do crescimento real do PIB –, para caminharmos rumo ao mesmo desconforto fiscal que, lentamente, foi a causa eficiente da nossa hiperinflação.

3. Para o cidadão comum, a solução é rudimentar: ou se reduz a despesa, ou se aumenta a receita, ou talvez melhor, com garantias adequadas, se faz um pouco das duas coisas. É evidente que devemos estar abertos a todas as soluções possíveis (sic) e escrutinizar todas elas, mas só tomar uma decisão quando existir um razoável grau de consenso dentro da base política do governo.

Francamente, é difícil acreditar que a tumultuada proposta de recriação da CPMF não tenha sido aprovada pela presidenta. Retirá-la na calada da noite exibiu um primitivismo político assustador. Mais grave: ajudou a revelar, pela insólita repulsa universal, que a cidadania empoderada não tem mais a menor disposição de dar ao governo seu voto de confiança.

Lembremos, de novo, que a situação fiscal é dramática e muito, muito, muito delicada! Cada passo mal pensado e mal combinado, que termine em mais uma frustração, pode ser, afinal, o precipício…

Matéria:

loureiro

Postagens recentes

Golden Brasil anuncia novo ciclo de crescimento, expansão global e oportunidades estratégicas

Novo ciclo esta se inicia nas empresas do grupo Grunde Brasil

9 horas atrás

Benefício de R$ 300 por mês abre novo lote de cadastro para mães elegíveis

Confirmação das candidatas selecionadas deve ser feita pela internet até o dia 23 de julho

10 horas atrás

Os impactos do Split Payment com a Reforma Tributária

O período de transição tributária exigirá dos gestores um olhar atento e estratégico sobre o…

10 horas atrás

Permanece aberto prazo para aderir ao parcelamento do PEM 2025

O PEM 2025 oferece condições significativamente melhores em comparação aos parcelamentos anteriores

11 horas atrás

Receita define regras para imposto sobre venda condicional de empresas

Nova solução de consulta define que parcelas complementares pagas após o cumprimento de metas configuram…

13 horas atrás

Evite multas: veja as regras e novidades da Declaração do ITR 2026

Receita Federal Publica Regras para a DITR e facilita envio sem necessidade de instalar programas

14 horas atrás