Foi apresentado na última semana de outubro na Câmara dos Deputados o projeto de lei que propõe adiar em dois anos a entrada da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A PL 5.762/19, de autoria do deputado Carlos Bezerra (MDB-MT), traz como argumento que apenas uma pequena parcela das instituições brasileiras iniciou o processo de adequação ao novo cenário jurídico.
A argumentação tem como referência a pesquisa de agosto realizada pelo Serasa Experian, em que aponta que 85% das empresas afirmaram não estar prontas para a LGPD. Outra questão é a “morosidade” do Poder Executivo na instalação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que coopera para que o sistema de regulamentação sobre as informações dos cidadãos seja eficiente.
“Diante desse cenário, a PL pode ser positiva para as empresas”, é o que avalia o advogado Lucas Paglia, sócio da P&B Compliance, empresa especializada em consultoria, gerenciamento, análise e redução de riscos nos processos administrativos. “Trata-se de uma boa oportunidade para as empresas conseguirem se adequarem à LGPD e não sofrerem consequências caso não consigam se enquadrarem às regras, como multas e até mesmo perda de contratos”, avalia.
De acordo com Paglia, o adiamento do vigor da lei poderá beneficiar principalmente às PMEs, já que muitas empresas desse porte ainda não iniciaram a adequação legal e, principalmente, técnica quanto à LGPD. “As PMEs possuem um conceito que envolve além do técnico, que se espelha no fator cultural interno delas, o que traz ainda mais atrasos para a adequação, assim como pelo desconhecimento da importância das novas regras”.
Por outro lado, a PL pode ser negativa. Isso porque, existe a possibilidade de criar certa desconfiança e insegurança jurídica, por causa dos pensamentos de que o adiamento significa que a regra não seja relevante e que não terá força no mercado nacional, por não ser tratada de maneira efetiva. “É importante avaliar que as empresas poderão imaginar que não precisarão iniciar a movimentação de adequações necessárias, porque ainda não está bem definida e, com isso, será possível ocorrer outras prorrogações”.
Paglia também diz que esses adiamentos relacionados à uma pauta tão importante, que trata sobre informações e transparência da sociedade, não é vista como positivo para o mercado e para a população.
Segundo o especialista, é necessário medir por todos os ângulos a medida para não prejudicar um projeto tão importante de privacidade e que, principalmente envolva os negócios na economia brasileira. Para ele, é necessário um meio termo no processo, priorizando a conscientização que a lei necessita, mas não penalizando às empresas que já começaram a se adequar.
Para o advogado, até o momento, a discussão tem se baseado muito nos aspectos teóricos. Mas, os práticos ainda não estão ocorrendo de maneira efetiva e nem cooperando com empresários e empreendedores que precisam de mais suporte do governo para se adequaram corretamente à LGPD.
“Caso não ocorra o adiamento, todos os envolvidos devem estar atentos e não entrarem em desespero quanto à obrigação de adequação, já que há tempo para realizar as ações. No entanto, uma sugestão seria que a lei e as multas entrassem em vigor em 2021, para que, assim, todo o processo de adequação seja bem feito e sem possíveis erros”, argumenta Lucas Paglia.
Lucas Paglia – sócio da P&B Compliance, advogado especialista em gerenciamento, mitigação e mapeamento de risco, pós-graduado em Compliance pela Fundação Getúlio Vargas e certificado pelo INSPER em Proteção de Dados & Privacidade.
As provas estão marcadas para os dias 8 e 15 de novembro. Veja o cronograma…
1º lote tem R$ 16 bilhões liberados para oito milhões de contribuintes
Entidades representativas têm até as 18h do dia 15 de junho para submeter suas contribuições…
Nova regra de segurança do trabalho exige virada de chave para a prevenção da saúde…
O que a contabilidade tem em comum com os esportes estratégicos online? Como áreas aparentemente…
A medida foi adotada em razão de instabilidade registrada na página destinada à interposição de…