Mitos e verdades sobre a Reforma Tributária que circularam em 2024

A Reforma Tributária, aprovada em 2023, promete transformar o sistema brasileiro e impulsionar o crescimento econômico do país. De acordo com um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), as mudanças previstas podem resultar em um aumento do PIB do Brasil de 20,2% em 15 anos (2021-2035) e de 24% no longo prazo.

Com a proposta de simplificar e modernizar a tributação no país, as novas regras têm gerado dúvidas e discussões desde o seu anúncio, inclusive com a circulação de informações que não refletem o que de fato entrará em vigor em 2026, ano determinado para o início do período de transição. 

“Como ainda está em processo de definição, há diversas desinformações sobre o tema, o que dificulta o entendimento correto das mudanças. Esclarecer esses pontos é essencial para que empresas e cidadãos possam se preparar adequadamente para a transição”, afirma Silvio Costa, especialista em tributação da Contmatic, empresa de soluções tecnológicas para gestão empresarial e contábil. 

Diante dos debates gerados ao longo do ano, ele reuniu os principais tópicos que mais despertaram questionamentos sobre a Reforma Tributária em 2024, esclarecendo o que é mito e o que de fato, é verdade:

⚠️ ACESSO EXCLUSIVO
Você está perdendo conteúdos exclusivos
Acesso sem anúncios + conteúdos especiais e privados.
R$4,90
Teste por 30 dias • depois R$9,90/mês
LIBERAR MEU ACESSO AGORA
✔ Cancelamento fácil • Sem compromisso

1 – O Imposto Seletivo (IS) substituirá completamente o IPI

Mito. “Muitas pessoas acreditam que o Imposto Seletivo eliminará o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Na realidade, o IS incidirá sobre produtos específicos, como cigarros, bebidas alcoólicas, entre outros, enquanto que o IPI terá redução a zero das alíquotas sobre todos os produtos, exceto aqueles que também sejam industrializados na Zona Franca de Manaus, estes representam apenas 5% do total”, explica Silvio Costa. No caso, o IS será aplicado apenas a produtos considerados nocivos à saúde e prejudiciais ao meio ambiente. Isso mostra que a Reforma Tributária não extingue totalmente tributos existentes, mas os reorganiza com funções distintas.

2 – O Imposto Seletivo visa desestimular o consumo de produtos prejudiciais

Verdade. “Conhecido como “imposto do pecado”, o IS não tem objetivo arrecadatório, mas sim de reduzir o consumo de itens nocivos à saúde e ao meio ambiente”, esclarece o especialista. Ele explica que este imposto tem um propósito educativo e de proteção social, uma vez que busca promover hábitos mais saudáveis e reduzir os custos econômicos relacionados às consequências do uso de tais produtos prejudiciais, como despesas com saúde pública e de reversão do impacto ambiental. Essa é a proposta do governo.  

3 – Os tributos sobre a cesta básica irão aumentar

Mito. Há um receio de que a Reforma Tributária provoque aumento nos impostos sobre alimentos básicos, mas isso não condiz com a realidade. O texto aprovado prevê mecanismos para garantir que itens essenciais da cesta básica mantenham sua carga tributária reduzida. “Essa estratégia visa proteger principalmente as famílias de baixa renda, evitando que a reforma prejudique o acesso a produtos indispensáveis e que são parte essencial da segurança alimentar da população”, reforça Silvio Costa. Inclusive, a Câmara dos Deputados ampliou a cesta básica por meio da inclusão das carnes e dos queijos, além de outras mudanças na composição das listas. 

4 – Haverá cashback para famílias de baixa renda

Verdade. “O benefício é direcionado para famílias com renda mensal de até meio salário-mínimo per capita, integrado ao Cadastro Único, com a proposta de devolução de 100% da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e 20% do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) para aquisição de botijão de gás, de 13 kg, e para as contas de luz, água e de gás encanado. Além de 20% da CBS e do IBS sobre os demais produtos”, explica o especialista. Há a previsão de limites de devolução para assegurar a compatibilidade entre os valores devolvidos e a renda da família.

5 – O sistema tributário será simplificado, mas não totalmente descomplicado

Verdade. A substituição dos tributos – PIS (Programa de Integração Social), Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), ISS (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza) por um IVA (Imposto sobre Valor Agregado) dual (CBS e IBS) e a criação do Imposto Seletivo (IS), é uma das maiores inovações da reforma, de acordo com o especialista. Essa mudança trará mais transparência e padronização ao sistema, alinhando o Brasil às práticas internacionais. “No entanto, embora seja mais simplificado, ainda haverá complexidades operacionais, especialmente durante o período de transição. A gestão tributária ainda exigirá elevada atenção e organização”, pontua Silvio.

6 – O novo sistema tributário eliminará créditos fiscais

Mito. “Um dos rumores mais recorrentes é que as mudanças na tributação eliminariam a possibilidade de empresas obterem créditos fiscais. Isso não é verdade. Tanto a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) quanto o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS)  permitirão a compensação de créditos para as empresas, o que é essencial para a cadeia produtiva e para evitar a cumulatividade dos tributos”, explica o especialista. Esse mecanismo continuará sendo um pilar do sistema, garantindo eficiência e competitividade ao setor produtivo.

De acordo com Silvio, a chave para lidar com a Reforma está no planejamento. Sua regulamentação por meio de lei complementar está prevista para 2025. “As empresas devem usar 2025 para revisar processos internos, treinar equipes e ajustar sistemas tributários. É uma oportunidade de adaptação que evitará problemas no futuro”, recomenda. Com as novas regras, ele reforça que haverá a necessidade de adequação dos sistemas ERP e de emissão de notas por parte das companhias, que devem acompanhar as mudanças para que fiquem atualizadas com o novo sistema tributário do nosso país. “É importante revisar os contratos de fornecedores e clientes para ver qual será o impacto derivado das alterações e ajustar o que for necessário para se adequar”, enfatiza o especialista. 

Em relação à vigência das novas regras, ele relembra como se dará o processo de transição:

  • 2026 será o ano teste da CBS e do IBS, às alíquotas de 0,9% e 0,1%, respectivamente, compensáveis com PIS/Cofins. Haverá a apuração em paralelo desses tributos novos com os atuais;
  • Em 2027, teremos a extinção do PIS e da Cofins, ficando apenas a cobrança da CBS, que os substitui. Nesse mesmo ano, haverá a redução a zero das alíquotas do IPI sobre todos os produtos, exceto aqueles que também sejam industrializados na Zona Franca de Manaus – estes representam apenas 5% do total – e a cobrança do Imposto Seletivo (IS);
  • De 2029 a 2032, será o período de transição do ICMS e do ISS para o IBS via aumento gradual da alíquota do IBS e redução gradual das alíquotas do ICMS e do ISS, começando com 10% em 2029, e 40% em 2032. E por fim, 100% em 2033, ano em que teremos a vigência integral do novo modelo de tributação e a extinção do ICMS e do ISS.

“Com informação e preparação, a sociedade poderá lidar com as mudanças de forma mais tranquila, aproveitando as vantagens de um sistema mais moderno e próximo dos padrões internacionais”, conclui o especialista. 

Sobre a Contmatic

A Contmatic é uma empresa especializada em soluções tecnológicas para gestão empresarial e contábil, com uma história de mais de três décadas no mercado. Fundada em 1987, tem como missão simplificar a vida de empresários e contadores, proporcionando ferramentas avançadas que otimizam processos e impulsionam o crescimento dos negócios. Especializada no desenvolvimento de softwares administrativos, contábeis e de gestão (ERP), a Contmatic fornece soluções inovadoras, além de capacitar diversos profissionais nas áreas contábil, fiscal e trabalhista por meio de seus serviços gratuitos. Seu portfólio de soluções abrange as diferentes necessidades de companhias de diversos tamanhos e setores. Mais informações em: . 

Ricardo de Freitas

Ricardo de Freitas não é apenas o CEO e Jornalista do Portal Jornal Contábil, mas também possui uma sólida trajetória como principal executivo e consultor de grandes empresas de software no Brasil. Sua experiência no setor de tecnologia, adquirida até 2013, o proporcionou uma visão estratégica sobre as necessidades e desafios das empresas. Ainda em 2010, demonstrou sua expertise em comunicação e negócios ao lançar com sucesso o livro "A Revolução de Marketing para Empresas de Contabilidade", uma obra que se tornou referência para o setor contábil em busca de novas abordagens de marketing e relacionamento com clientes. Sua liderança no Jornal Contábil, portanto, é enriquecida por uma compreensão multifacetada do mundo empresarial, unindo tecnologia, gestão e comunicação estratégica. Além disso é CEO da FiscalTalks Inteligência Artificial, onde desenvolve vários projetos de IA para diversas areas.

Postagens recentes

Fibromialgia dá direito a benefício do INSS? Conheça os requisitos e saiba como comprovar

Portadores da síndrome que enfrentam dores crônicas podem solicitar benefícios, mas precisam comprovar o impacto…

14 horas atrás

Risco do salário “por fora”: prática ilegal traz prejuízos a curto e longo prazo

informalidade na folha de pagamento reduz valor de benefícios como FGTS, férias e aposentadoria, além…

15 horas atrás

INSS confirma abono extra do 13º para aposentados e pensionistas

Segurados que começaram a receber benefícios a partir de maio terão o abono depositado nos…

16 horas atrás

Novo lote do PIS/Pasep é liberado nesta quarta. Veja regras e calendário

Trabalhadores nascidos em setembro e outubro recebem o abono a partir do dia 15. Nova…

17 horas atrás

Prorrogado prazo de cadastro obrigatório no NovoPAT

Prazo inicial terminaria em 25 de julho. Sistema antigo será totalmente desativado

19 horas atrás

Burnout no setor contábil: os sinais de alerta e o papel das lideranças na prevenção

Manter o equilíbrio entre demandas, significado das tarefas e bem-estar resulta em equipes mais engajadas…

20 horas atrás