Categorias: DestaquesNews Yahoo

Novas regras do cartão de crédito podem dificultar a vida do consumidor

A nova alteração de regras do cartão de crédito podem induzir o consumidor a fazer escolhas erradas. Esta é a avaliação da economista do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Ione Amorim, ao comentar as medidas anunciadas, nessa quinta-feira, pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), entre elas, a liberação do percentual de pagamento mínimo, que era de 15%, e a possibilidade de aplicação de taxas de juros diferentes de acordo com o risco de cada cliente. Coordenadora das áreas técnicas do Procon-SP, Renata Reis diz que é preciso analisar com cuidado os efeitos que terão na prática para o consumidor.

— As novas regras permitem que se aplique uma taxa de acordo com o risco de cada cliente. Quem garante que não serão mais altas do que as praticadas hoje — diz Renata, ao se referir o ao pagamento mínimo de 15% da fatura do cartão de crédito.

Ione também teme abusividade das instituição financeira:

— Além de criar um ambiente com potencial riscos de abusividade das instituições financeiras por não ter uniformidade na oferta, cada banco ou operadora de cartão criará suas próprias regras, dificulta a comparação entre os bancos, reduz a concorrência e dificulta o processo de escolha, como já acontece com os pacotes de tarifas de serviços bancários.

⚠️ ACESSO EXCLUSIVO
Você está perdendo conteúdos exclusivos
Acesso sem anúncios + conteúdos especiais e privados.
R$4,90
Teste por 30 dias • depois R$9,90/mês
LIBERAR MEU ACESSO AGORA
✔ Cancelamento fácil • Sem compromisso

Segundo a economista, a realidade dos consumidores que caem no crédito rotativo do cartão de crédito ficou mais complexa desde que mudou a norma há um ano.

— Existem muitas alternativas de pagamento, consumidores que compram produtos parcelados e depois parcelam os saldos, carregando parcelamentos anteriores, criam operações com juros sobre juros, que dificultam acompanhar a evolução da dívida, compromete a renda futura e ainda permite a liberação de limite para novas compras — explica Ione.

Renata ressalta ainda que a esperada queda nas taxas de juros, que foi alardeada na mudança do ano passado, não chegou aos padrões almejados:

— Se entrarmos no site do banco central vemos taxas de dois dígitos, de 15%, 20%. Desde que começaram a vigorar as regras do rotativo, recebemos muitas reclamações sobre o parcelamento automático, sem o consumidor ser consultado. Não foi feito de fato uma verificação do perfil do cliente na hora de parcelar o rotativo.

Quanto à decisão de igualar as taxas de quem está em dia com as das cobradas dos inadimplentes, a economista do Idec acredita que o resultado será o aumento da taxa de juros, o que punirá quem aceitou o parcelamento para evitar o atraso nos pagamentos.

— De acordo com as regras atuais, quem parcelou o saldo paga uma taxa de juros de parcelamento que subiu no segundo semestre de 2017, quando a opção de uso do rotativo ficou limitada a 30 dias. Aqueles consumidores que não pagaram nada, entraram diretamente na inadimplência tinha o saldo corrigido pelo juros do rotativo. Pelas normas anunciadas, a evolução da dívida passará a ser realizada pela mesma taxa do parcelamento e mais os encargos de multa e mora, além do bloqueio do cartão. É justo a interrupção

Para Renata, as novas regras foram prudenciais para as instituições financeiras, e não para o consumidor que já se encontra endividado:

— A questão é como fazer este consumidor ser resgatado. Temos que analisar se as taxas a serem adotadas vai salvá-lo e que não seja alvo de uma taxa majorada frente a seu perfil.

da dívida pelo rotativo, mas não deveriam compartilhar da mesma taxa de juros — pontua a especialista.

A economista lembra que, antes da implantação das novas regras divulgadas pelo Banco Central, em 2017, o Idec enviou uma carta ao banco solicitando esclarecimentos e apontando riscos identificados da medida, entre eles, a dificuldade de entendimento das regras pelos consumidores.

— Se o Banco Central editou novas regras é provável que o volume de reclamações e de dificuldade de adequação tenha sido representativo. Faremos a mesma avaliação das normas que acabam de ser anunciadas e vamos encaminhar um posicionamento sobre o assunto. Mesmo sem ter acesso a íntegra da nova norma, já nos preocupa muito as regras para parcelamento definidas pelos próprios bancos.

Ione acrescenta que a regulamentação das Fintechs é positiva para criar meios alternativos de acesso ao crédito com juros mais baixos. No entanto, ressalta, é importante estabelecer regras para disciplinar a oferta de forma responsável, pois, crédito barato também pode levar os consumidores ao superendividamento:

— Basta observarmos a situação dos tomadores de crédito consignado. A mudança é favorável, mas a capacidade de oferta é proporcionalmente muito inferior aos grandes bancos, que continuarão ditando as regras no mercado.

O que dizem os bancos

Em nota, o Itaú Unibanco informa que continua comprometido com a evolução do sistema de cartão de crédito no Brasil, e que, nesse contexto, o banco já opera com taxas de juros iguais para o rotativo regular e não regular. Em relação às outras medidas anunciadas pelo governo, o banco diz que já está trabalhando para se adaptar.

Já o Banco do Brasil diz que as medidas do Banco Central para incentivar a concorrência e a redução do custo do crédito para os tomadores devem ser celebradas.

A Caixa afirma estar analisando as resoluções, eventuais impactos e necessidades de implementação de ajustes sistêmicos. Sobre o percentual mínimo, o banco está avaliando a melhor estratégia a ser adotada, não descartando a possibilidade de adequação ao perfil de cada cliente.

Via O Globo

loureiro

Postagens recentes

Ações que o contador já deve tomar para enfrentar a Reforma Tributária

Ações concretas que devem ser tomada imediatamente

14 horas atrás

Falta de assessoria contábil joga quase metade dos MEIs na inadimplência

Com 41% das categorias em atraso com o fisco, apoio contábil deixa de ser capricho…

15 horas atrás

Códigos CFOP 5102 e 6102: qual devo usar na venda de mercadorias?

Escolha correta do Código Fiscal de Operações e Prestações evita rejeição de notas fiscais, multas…

16 horas atrás

Aprovada a isenção de Imposto de Renda para profissionais de segurança pública

Proposta amplia benefício para guardas municipais, peritos e inativos. Recursos virão da taxação de apostas…

18 horas atrás

Montador de móveis barato: como economizar sem abrir mão da qualidade

Na hora de montar móveis novos, muitas pessoas procuram uma solução que seja prática, segura…

19 horas atrás

Receita lança pesquisa para avaliar integridade e convoca contadores

Em parceria com órgão internacional, levantamento anônimo busca medir a percepção dos profissionais sobre ética,…

20 horas atrás