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Saúde mental: Saiba como lidar com todos os motivos de insatisfação com a sua vida

Raiva, tristeza, solidão, frustração e ansiedade. Sentimentos cada vez mais frequentes no cotidiano e que foram agravados com a pandemia.

Eles são a causa/consequência daquela falta de interesse pelas atividades do dia a dia e pela dificuldade de concentração nas mais simples tarefas.

Tudo isso é bastante normal, de acordo com o psicanalista, neurocientista e pesquisador do comportamento humano Fabiano de Abreu, com formação em Harvard, nos Estados Unidos.

“Quase todo mundo já passou ou vai passar por um momento como este, não importa quem, onde ou quando, a questão é identificar os gatilhos para trabalhá-los”, explica o cientista.

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E para quem pensa que o problema está nas contas a pagar, na casa própria não conquistada ou naqueles quilinhos a mais está errado. A primeira grande causa apontada pelo especialista são as relações pessoais.

“A falta de relacionamentos profundos e verdadeiros gera um grande vazio existencial, somos dependentes do contato social, do toque e do afeto”, explica. Fabiano ressalta que não tem a ver com quantidade, mas com qualidade.

“É fundamental criarmos laços profundos com alguém, desenvolver empatia, identificação, termos algum sentimento de pertencimento a um local ou a uma comunidade, mesmo que seja apenas dentro da sua casa”, destaca.

A dica do psicanalista é identificar quais são as pessoas especiais na sua vida e trabalhar estas relações para que sejam valorizadas.

Outro ponto que frequentemente afeta os indivíduos são as pendências, ou seja, assuntos não resolvidos no passado que assombram o presente.

“ Acreditar que apenas o passado representa você e sua vida é um erro, pois mesmo que ele faça parte da nossa trajetória, temos que nos focar no presente e no que podemos fazer agora”, analisa o cientista.

Portanto, mesmo que ainda haja rancor, dor e arrependimento em relação à oportunidade de trabalho perdida, ao grande amor não valorizado ou à morte de alguém especial, esses sentimentos devem ser trabalhados de forma que fique claro que não há como mudar o passado e que suas ações agora é que poderão evitar novas dores. Aceite, confie e faça diferente.

Para todos os pontos já citados vem um fundamental: autoconhecimento. Conhecer a si próprio pode ser mais difícil que conhecer seu melhor amigo. Fabiano acrescenta que esta pode ser a base de inúmeras questões e dilemas.

“Somente podemos saber o que nos faz feliz quando verdadeiramente nos conhecemos, do contrário, serão tentativas vãs que apenas nos farão perder tempo e energia”. Falando de forma bastante didática, é imaginar a vida como um grande buffet.

Se você não sabe quais os seus pratos preferidos, não saberá escolher. Poderá encher demais o prato com comidas que não lhe agradarão e empanturrar-se com o que não irá deixá-lo satisfeito, ou ainda, jogar fora alimentos que poderiam satisfazer outra pessoa. Assim é com relacionamento e oportunidades.

Tal e qual fazemos com os alimentos, experimente e descubra os sabores que lhe agradam, assim, diante das inúmeras opções da vida será mais fácil ser assertivo e fazer escolhas sábias.

“Meditação, leituras e tempo ocioso, o chamado ócio criativo, contribuem para nos analisarmos”, explica Abreu.

Por fim, e não menos importante, tenha metas.” Viver sem um rumo definido é frustração garantida, pois viver sem metas é andar em círculos, você não chega aonde quer porque não sabe qual é o seu lugar”, afirma.

O sentimento de conquista move o ser humano, assim, almejar um propósito e conquistá-lo é motivador, da mesma forma que viver sem um ideal traz tédio e vazio.

“Gosto do pensamento do escritor uruguaio Eduardo Galeano, ele faz a metáfora da utopia como algo que sempre está se afastando cada vez que nos aproximamos, pois seu sentido é sempre nos fazer caminhar em sua direção. Assim são as metas”, define o neurocientista.

Por Fabiano de Abreu, Psicanalista e neurocientista

Esther Vasconcelos

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