SindusCon-SP mantém previsão de crescimento do PIB da construção em 2020

Apesar da queda nas projeções de crescimento do PIB nacional para este ano, o SindusCon-SP mantém por enquanto a estimativa de que o PIB da construção crescerá 3% em 2020.

Esta foi uma das conclusões da Reunião de Conjuntura da entidade, conduzida pelo vice-presidente de Economia, Eduardo Zaidan, em 5 de março, com a participação da coordenadora de Projetos da Construção da FGV/Ibre, Ana Maria Castelo, e do professor da FGV Robson Gonçalves.

A projeção de crescimento para a construção se mantém devido ao volume maior de obras já contratadas, ao aumento do emprego em 2019 nas fases antecedentes de obras (projetos e preparação de terrenos) e às expectativas dos empresários sobre o desempenho das construtoras nos próximos meses.

Entretanto, ressalvou Ana Castelo, o percentual de crescimento da construção poderá ser rebaixado se houver uma recessão econômica, diminuindo a demanda das famílias, ou se o surto de coronavírus assumir um caráter epidêmico, paralisando canteiros de obras, ou ainda se não houver uma solução para os problemas enfrentados pelo programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV)

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Em sua apresentação, a economista previu que o segmento de edificações residenciais aumentará o ritmo de crescimento, impulsionando o segmento de serviços especializados. Entretanto, ressalvou, para que o crescimento do mercado imobiliário se dissemine pelo país, serão necessárias: a continuidade do crescimento do emprego formal e da renda, a definição de uma política social voltada à habitação de interesse social e a interrupção das paralisações no MCMV.

Em relação às obras de infraestrutura, Ana Castelo afirmou que a redução do custo de capital e a aprovação do marco regulatório do saneamento poderão impulsionar investimentos de R$ 100 bilhões em projetos neste segmento. Mas, ressalvou, há dúvidas se tal volume de recursos de fato será aportado e se a questão ambiental será um obstáculo para viabilizar os investimentos. O governo, com suas atitudes e declarações, gera incertezas que dificultam as decisões de investimentos, de acordo com a economista.

Preocupações

Ao analisar o resultado do PIB de 2019, o vice-presidente Zaidan manifestou preocupação em relação à perda gradual do peso da indústria na economia nacional. Segundo ele, o baixo nível de investimentos gera perdas tecnológicas e de competitividade. A maioria do expressivo contingente de jovens entre 15 e 30 anos ingressa mal formada no mercado de trabalho e se dirige cada vez mais a segmentos “uberizados” do mercado de trabalho, que pouco agregam na economia.

“Todos os motores da economia estão com problemas e precisam ser reparados. Depois, precisaremos de combustível e um bom piloto. As reformas, como a tributária, são necessárias”, comentou.

Robson Gonçalves, da FGV, afirmou que a queda dos juros deve elevar a demanda por imóveis, assim como a elevação do câmbio está barateando os ativos no Brasil. Entretanto, ponderou, a construção requer medidas específicas, como a definição de uma política habitacional que garanta o acesso à moradia por parte das famílias de baixa renda.

Gonçalves também alertou para o risco de extinção de algumas estatísticas e pesquisas fundamentais para a formulação de projeções econômicas e definições de políticas públicas. Exemplificando, ele citou a dificuldade crescente de se calcular o déficit habitacional, em função da interrupção de pesquisa do IBGE a respeito.

Leonardo Grandchamp

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