Sinergia entre escutar, comunicar e gerenciamento de conflitos: uma abordagem neurocientífica

Comunicar é o ato de transmitir informações, ideias, pensamentos, sentimentos ou mensagens de uma pessoa a outra. Envolve a troca de informações por meio de diferentes meios, como a fala, escrita, gestos, linguagem corporal, entre outros, com o objetivo de estabelecer compreensão e interação entre as partes envolvidas.  É essencial na transmissão de conhecimento e na criação de conexões nas relações humanas pessoais e profissionais.

A comunicação positiva e construtiva visa promover interações saudáveis e benéficas. A sinergia entre escutar atentamente, comunicar de maneira eficaz e gerenciar conflitos, envolve a transmissão de mensagens de forma otimista, respeitosa e encorajadora, visando fortalecer os relacionamentos. 

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Na comunicação não verbal a neurociência investiga como o cérebro interpreta pistas não verbais, como gestos, expressões faciais e linguagem corporal com intuito de entender as nuances da comunicação interpessoal.

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A crescente comunicação digital é relevante pontuar a existência de pesquisas que examina como o cérebro se adaptam à comunicação por meio de dispositivos eletrônicos e como isso afeta a cognição e relacionamentos.

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Alguns elementos-chave importante para a comunicação, incluem:

  1. Escutar com empatia: Mostrar compreensão e consideração pelos sentimentos e perspectivas dos outros. Ao demonstrar interesse genuíno por suas necessidades, ativa áreas do cérebro associadas à empatia e à compreensão das emoções, como o córtex cingulado anterior.
  1. Clareza na comunicação: Envolve áreas cerebrais relacionadas ao processamento da linguagem, como o córtex pré-frontal. Comunicar de forma direta e transparente, evita mal-entendidos e ambiguidades. O sistema de recompensa do cérebro é ativado reforçando comportamentos de comunicação positiva.
  2. Feedback construtivo: É importante ser especifico e basear em fatos, evitar críticas pessoais e julgamentos. O cérebro reage ao feedback de maneira específica, e a neurociência pode explicar como as pessoas respondem a críticas e elogios.
  1. Respeito: Tratar todas as partes com respeito, cortesia e consideração, independentemente das diferenças de opiniões.
  1. Solução de problemas: Abordar questões de maneira colaborativa, buscando soluções que beneficiem todas as partes envolvidas.
  1. Incentivo: Oferecer incentivo e apoio positivo para motivar e inspirar os outros.
  1. Abordagem na solução: Em vez de focar nos problemas, concentrar em encontrar alternativas para superar os desafios.
  1. Colaboração: Incentivar a busca de interesses comuns, em vez de posição conflitantes.
  1. Escuta ativa: Ouvir atentamente o que os outros tem a dizer é essencial para compreender suas necessidades e preocupações.

Gestão de conflitos e regulação emocional

A gestão de conflitos eficaz requer regulação das emoções, o que envolve o córtex pré-frontal ventromedial e outas áreas associadas ao controle emocional.  Permite que as pessoas ajam de forma ponderada e construtiva no processo de identificar, lidar e resolver disputas ou tensões conflitantes.

A prática de escutar com empatia, comunicar eficazmente e gerenciar conflitos pode levar a mudanças na estrutura e função cerebral ao longo do tempo, graças a neuroplasticidade é possível aprimorar habilidades por meio de treinamento e práticas consistentes.

Durante conflitos, o cérebro libera o hormônio cortisol em resposta ao estresse. Uma abordagem neurocientífica pode ajudar a entender como o excesso de cortisol pode prejudicar a comunicação e o gerenciamento de conflitos.

Gerenciar conflitos envolve alguns princípios e estratégias-chave:

  1. Identificação e compreensão dos conflitos: O primeiro passo é reconhecer a existência de conflitos.  Isso pode ser feito por meio de observação atenta, coleta de feedback dos funcionários e da análise de indicadores de conflito, como a diminuição da produtividade ou aumento da rotatividade.
  1. Compreensão das causas: Para resolver conflitos de forma eficaz, é essencial compreender suas causas subjacentes. Identificar diferenças de personalidade, competição por poder, interesses divergentes ou comunicação deficiente, entre outros fatores.
  1. Comunicação aberta: É crucial estabelecer canais de comunicação abertos e transparentes. Os funcionários devem se sentir à vontade para expressar suas preocupações e opiniões de maneira construtiva.
  1. Mediação e resolução: Dependendo da complexidade do conflito, a mediação pode ser necessária. Isso envolve um terceiro imparcial que ajudará as partes a chegar ao acordo. Pode incluir a negociação, compromisso ou até mesmo a implementação de políticas e procedimentos para evitar conflitos futuros.
  1. Liderança e cultura organizacional: A liderança é um elo fundamental na gestão de conflitos corporativos, incentivar uma cultura organizacional que valorize a resolução pacifica de conflitos, promova a abertura e o diálogo construtivo, estimule a colaboração e respeito mútuo entre os membros da equipe com atitudes preventivas de conflitos.
  1. Treinamento e desenvolvimento: Oferecer treinamento em habilidades de comunicação, resolução de conflitos e inteligência emocional pode ajudar a capacitar os funcionários a lidar com conflitos de maneira construtiva.
  1. Avaliação e acompanhamento: Após a resolução de conflitos é importante realizar uma avaliação para garantir em não recorrência de conflitos.

A gestão de conflitos corporativos não se trata apenas de resolver disputas, más também de transformar conflitos em oportunidades de crescimento e melhoria dentro da organização. Quando bem gerenciados, os conflitos podem levar a soluções colaborativas, maior compreensão mútua, redução da agressividade e hostilidade.

Não se recomenda analisar o desempenho da escuta ativa, comunicação não violenta empática de forma isolada. A neurociência fornece insights valiosos sobre como o cérebro processa a comunicação e possibilita a adoção de estratégias eficazes para melhorar a sinergia entre escutar, comunicar e gerenciar conflitos, destacando como essas atividades moldam a atividade cerebral afetam a capacidade de relacionar-se de maneira mais harmoniosa, produtiva e colaborativa onde as pessoas se sentem ouvidas, compreendidas e valorizadas.

 Ao reconhecer que a comunicação não é apenas uma habilidade interpessoal, mas tem base neurobiológicas e que a empatia envolve processos cognitivos e emocionais que são mediados por sistemas neurais específicos, conclui-se a potencialização da satisfação, do engajamento, na melhoria dos relacionamentos interpessoais e consequentemente um clima organizacional humanizado, saudável com a promoção do bem-estar e eficácia no ambiente de trabalho.

Kenia Maria da Silva

Especialista em neurociência e psicologia positiva no desenvolvimento humano, auditoria digital, direito tributário e gestão para cooperativas, com graduação em ciências contábeis. Atua a 32 anos em contabilidade tributária para cooperativa do ramo agropecuário. Experiência em docência universitária e técnica. Esporadicamente escreve artigos e textos para publicações em blogs, sites e revistas e capítulos de livros digitais.

Leonardo Grandchamp

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