Taxação de dividendos: ‘na contramão’ dos planos de Haddad

Analistas comentam o que está em jogo com proposta de taxação de dividendos do ministro da Fazenda e em quais ações estão apostando no momento

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Fernando Haddad tem gerado um “burburinho” no mercado financeiro essa semana. Isso porque o ministro da Fazenda prometeu levar adiante as propostas de taxar dividendos, fundos offshore e fundos exclusivos (os dos “super ricos”).

Para você ter uma ideia da confusão, empresários da Faria Lima, onde se concentra o maior centro financeiro do país, estão se unindo para atrapalhar os planos de Haddad:

Diante da necessidade de zerar o déficit das contas públicas em 2024, o ministro quer agir para “corrigir distorções absurdas do sistema tributário”. Ele inclusive afirmou estar preparado para a resistência que irá enfrentar de setores que hoje o apoiam.

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Com isso, pode ser que o investidor esteja se perguntando: “como ficará o pagamento de dividendos das empresas listadas em bolsa?”.

O pagamento de dividendos das ações vai acabar?

Embora o termo “taxação de dividendos” gere uma certa ansiedade aos investidores, pode-se antecipar que não há motivos para se desesperar.

É nisso que acreditam os analistas da Empiricus Research. Para eles, os primeiros efeitos dessa medida só devem ser vistos a partir de 2024, dando oportunidade para que as empresas e o mercado se adaptem às novas regras.

“Vislumbramos um incentivo aos programas de recompra de ações que, em termos práticos, funcionam também como distribuição de proventos”, explicam.

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Na prática, os analistas acreditam que as empresas encontrarão outras maneiras de remunerar seus acionistas, como a recompra de ações.

A recompra é quando as empresas utilizam parte do dinheiro que têm em caixa para recomprar os próprios papéis. Com menos ações em circulação, a participação dos acionistas aumenta e, consequentemente, a remuneração também.

Os analistas, porém, destacam que nem todas as empresas poderão usar deste recurso com a mesma amplitude e eficácia, já que isso esbarra no float e na liquidez das ações.

Mas, de maneira geral, a taxação de dividendos pode trazer mais benefícios do que malefícios para a economia do país, segundo os analistas.

“Embora saibamos que alguns nomes e setores específicos serão mais prejudicados do que outros, não estamos falando de impactos caóticos. Ao contrário, entendemos que ela pode sanar uma série de distorções tributárias da economia brasileira”, afirmam.

Bia Montes

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