Governo publica projeto para extinguir JCP a partir de 2024

O governo Luiz Inácio Lula da Silva publicou o projeto de lei que prevê o fim do mecanismo de distribuição de juros sobre capital próprio (JCP) por empresas a partir de 1º de janeiro de 2024.

O projeto, publicado pela Casa Civil no site do Palácio do Planalto, veda a dedução de juros pagos sobre remuneração do capital próprio na apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).

Conforme o projeto, que dependerá de aval do Congresso para entrar em vigor, a medida não impede essa dedução referente ao ano de 2023, ainda que pagos ou creditados no ano-calendário de 2024.

Leia também: Governo Publica PL Que Acaba Com Juros Sobre Capital Próprio (JCP)

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Atualmente, existem duas maneiras de as empresas distribuírem parte do lucro para os acionistas.

A primeira ocorre por meio dos dividendos, obrigatórios pela Lei das Sociedades Anônimas, em que a empresa paga Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre os lucros, mas o investidor não paga nada.

A segunda ocorre por meio dos juros sobre capital próprio, de caráter facultativo, no qual a empresa não paga IRPJ e CSLL, mas o investidor paga 15% de Imposto de Renda retido na fonte.

Os repasses de juros aos investidores são considerados despesas e descontados do lucro.

O mecanismo foi criado para atrair investidores no mercado de ações e facilitar autofinanciamento com recursos dos sócios, ao estimular a distribuição de lucros pelas empresas.

Leia também: Como Declarar Juros Sobre Capital Próprio No Imposto De Renda?

Em abril, ao comentar sobre a possibilidade do fim do mecanismo, o ministro Haddad explicou, no entanto, que diversas empresas estão zerando os lucros artificialmente para transformá-los em juros sobre capital próprio.

“Têm empresas, para você ter uma ideia, que não estão tendo mais lucro. Têm empresas muito rentáveis que não declaram lucro e, portanto, não pagam Imposto de Renda Pessoa Jurídica. O que elas fizeram? Transformaram lucro artificialmente em juros sobre capital próprio. Não pagam nem como pessoa jurídica, nem como pessoa física”, explicou o ministro na época.

(*Com informações de Reuters e Agência Brasil.)

Bia Montes

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