Lojas Marisa: dívida de R$ 600 milhões e mais renúncias no alto escalão

O caso das Lojas Americanas, anunciado no último dia 11 de janeiro, acendeu um alerta para o mercado financeiro e para a economia em geral do Brasil. A gigante varejista passa por uma crise sem precedentes e anunciou uma dívida de, no mínimo, R$ 40 bilhões. 

Em meio a incertezas da Americanas, outra corporação grande, mas do varejo de moda, também anunciou passivo preocupante no balanço do primeiro trimestre: as lojas Marisa.

A rede anunciou que vai renegociar as dívidas, de cerca de R$ 600 milhões. A ideia da companhia é alongar o prazo junto aos bancos. O presidente-executivo, Adalberto Pereira Santos, e o membro do conselho de administração, Marcelo Adriano Casarin, já haviam renunciado ao cargo.

Agora foi a vez do CEO Adalberto Pereira Santos, do membro do Conselho Administrativo Marcelo Adriano Casarin, Marcelo Doll Martinelli, presidente do conselho e do conselheiro Dilson Batista dos Santos Filho.

As ações das lojas Marisa na Bolsa de Valores de São Paulo fecharam o pregão com queda de 6,2%. Em 12 meses, os papéis acumulam desvalorização de 67%.

Com uma receita mensal em torno de R$ 250 milhões, a companhia encerrou o terceiro trimestre de 2022 com prejuízo de R$ 97,5 milhões, revertendo o lucro líquido de R$ 44,4 milhões obtido no mesmo período do ano anterior.  

Os resultados da companhia foram impactados pelo aumento de despesas financeiras, impulsionadas pela elevação da taxa de juros. A Marisa tem cerca de 400 lojas espalhadas por todas as regiões do Brasil.

A empresa informou que contratou a BR Partners para assessorá-la no processo de renegociação de seu endividamento financeiro e a Galeazzi Associados para tentar se reestruturar.

Leia também: Mercado reduz projeção para crescimento da economia em 2023. Confira!

Como começou a Marisa?

A Marisa é uma empresa de capital aberto com ações na bolsa de valores. Ainda sim, o sócio fundador, o empresário Márcio Goldfarb, junto de sua família, controla as operações da corporação. Márcio conta com 5,8% das ações da empresa.

A crise atual fez o empresário virar réu em um processo da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por supostamente ter comprado ações da companhia indevidamente. 

Segundo consta no site oficial da empresa, a primeira loja, a Marisa Bolsas, foi aberta aberta em 1948. Vendendo pronta entrega de estoques de grandes fabricantes a preços competitivos, Márcio encontrou o seu nicho e o seu público. Com o nome Marisa Malhas, terceira loja do grupo, iniciou-se o processo de expansão.

Ana Luzia Rodrigues

Formada em jornalismo há mais de 30 anos, já passou por diversas redações dos jornais do interior onde ocupou cargos como repórter e editora-chefe. Também já foi assessora de imprensa da Câmara Municipal de Teresópolis. Atuante no Jornal Contábil desde 2021.

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