O ICMS nos combustíveis – modificações em projeto no congresso

No último dia 13.10, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou nova proposta de reforma do ICMS dos combustíveis e, após uma grande negociação coordenada pelo então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP/AL), o relator do projeto, Dr. Jaziel (PL/CE), depois de modificações,  apresentou um novo parecer, e finalmente a câmara dos deputados aprovou o Projeto de Lei com 392 votos favoráveis e 71 contrários, o que mais uma vez comprovou a liderança do presidente apoiado não só pela base do governo como também do conhecido Centrão.

O projeto aprovado cria uma fórmula para incorporar aos preços — e parte da arrecadação dos estados — a alíquota do ICMS. 

Mesmo que haja alguma perda de arrecadação pelos estados, o governo federal desistiu da proposta de criação de uma alíquota única em todo o país para evitar a ideia de tabelamento de preço, o que parece desejo do governo Bolsonaro de descartar essa ideia de controle de preços.

Então, o que se pretende é cobrar o ICMS a partir de um valor fixo por quantidade vendida, o que é chamado no mundo tributário como alíquota ad rem.

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Claro que, por se tratar de um PL (projeto de Lei), poderá ser modificado pelo senado e, mesmo que não haja qualquer alteração, o Presidente Bolsonaro tem o poder de veto parcial ou total e, nestes casos, aquelas partes vetadas voltam novamente à casa para nova votação para derrubar ou não o veto do Presidente, portanto teremos um longo percurso até que entre em vigor.

O ICMS é de extrema importância para os Estados. O que precisamos entender é que essa grande massa de recursos que têm chegado nos estados desafogam os mesmos com um volume expressivo de valores de arrecadação.

Segundo o Comsefaz (Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal), estima-se que o projeto de lei que muda o cálculo do ICMS sobre combustíveis diminuirá em R$ 32 bilhões de arrecadação dos estados e municípios.

No dia 18.10, os estados se posicionam contra a aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 11/2020 no Senado e, desta forma, teremos muito debate e muita discussão neste assunto, não tendo depois disso qualquer evolução deste assunto.

Os estados contam atualmente com estes recursos para o funcionamento dos serviços públicos necessários para toda a população, como saúde, educação e segurança pública, alertando que a perda de receitas ameaça o financiamento dos gastos obrigatórios e compromete o equilíbrio fiscal dos estados e municípios.

Hoje, o ICMS é um percentual que incide sobre um valor médio de preços dos combustíveis no varejo, atualizado quinzenalmente pelas secretarias de Fazenda estaduais.

Contador Francisco Arrighi, Presidente da Fradema Consultores Tributários

Leonardo Grandchamp

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