Categorias: Destaques

O novo compliance

Pouca gente no ambiente corporativo tem se dado conta de que estamos vivendo um período de profundas transformações. Não se trata apenas de modelos de negócio. Mais que isso, estamos assistindo também mudanças profundas no modelo de comportamento a ser adotado dentro do ambiente de trabalho, e as áreas de compliance têm sido as responsáveis por estimular e garantir que este movimento ocorra sem traumas dentro das empresas.

Não tem sido uma tarefa fácil. Para dar conta dela, é preciso lembrar que a abrangência da área de compliance vem crescendo muito dentro das corporações. Há cerca de dez anos, talvez menos, essa era a área responsável por garantir a correção dos números: contas transparentes, concorrências justas, impostos pagos em dia. Até ali, a conformidade era jurídica e legal.

Mas os tempos mudam e, neste movimento, a área de compliance dentro das empresas é responsável também pela correção de atitudes. Não se trata mais apenas de dizer o que pode e o que não pode ser feito em relação à contabilidade da empresa, mas também o que pode e o que não pode ser feito em relação ao comportamento de seus colaboradores, principalmente dentro do ambiente de trabalho.

Aqui, além do básico, dos números, tratamos de temas como respeito à diversidade, respeito à liberdade religiosa, fim do assédio moral e sexual e outros temas que garantam a construção de um ambiente de trabalho diverso e livre de preconceitos. O discurso é muito bonito, mas esbarra em obstáculos culturais bastante fortes, principalmente quando se trata de equipes formadas por profissionais com muitos anos de experiência.

⚠️ ACESSO EXCLUSIVO
Você está perdendo conteúdos exclusivos
Acesso sem anúncios + conteúdos especiais e privados.
R$4,90
Teste por 30 dias • depois R$9,90/mês
LIBERAR MEU ACESSO AGORA
✔ Cancelamento fácil • Sem compromisso

Quanto mais experiente o profissional, mais arraigadas ele tem determinadas questões e comportamentos que, cada vez mais, vão se tornando inaceitáveis nos ambientes de trabalho. É neste ponto que o trabalho da área de compliance ganha um forte caráter educacional: antes das punições, é preciso de que haja orientação, um processo de aculturamento que faça com que a equipe, principalmente os mais resistentes, entendam que os tempos mudaram.

Dá trabalho e leva tempo, mas o resultado é um ambiente corporativo mais leve e respeitoso. E para os que defendem os resultados acima de tudo, estes ambientes se traduzem em equipes mais produtivas e empresas mais rentáveis, inclusive pela percepção de que estas empresas se preocupam com o tema.

Para se ter uma ideia, uma pesquisa realizada em 2010 pela International Finance Corporation, detectou que, já naquela época, 55% dos investidores se dispunham a pagar 10% a mais por ações de empresas com alto nível de governança, que são aquelas com alto nível de transparência. 38% destes investidores se dispunham a pagar 20% a mais.

Parece discurso, não é? Mas basta comparar a valorização do índice Ibovespa com o IGC-NM, índice que reúne empresas que possuem alto nível de governança. Entre 2006 e 2017, o crescimento anual médio do Ibovespa foi de 3,5%. No mesmo período, o IGC-NM cresceu 7,1%, resultando em uma rentabilidade acumulada de 120,1% entre dezembro de 2006 e maio de 2017, contra 47,75% do Ibovespa no mesmo período.

É uma das raras situações em que números e a preocupação com as pessoas andam juntos, mostrando que vale a pena o esforço.

*Yeda Couri é head de compliance da T-Systems Brasil

Ricardo de Freitas

Ricardo de Freitas não é apenas o CEO e Jornalista do Portal Jornal Contábil, mas também possui uma sólida trajetória como principal executivo e consultor de grandes empresas de software no Brasil. Sua experiência no setor de tecnologia, adquirida até 2013, o proporcionou uma visão estratégica sobre as necessidades e desafios das empresas. Ainda em 2010, demonstrou sua expertise em comunicação e negócios ao lançar com sucesso o livro "A Revolução de Marketing para Empresas de Contabilidade", uma obra que se tornou referência para o setor contábil em busca de novas abordagens de marketing e relacionamento com clientes. Sua liderança no Jornal Contábil, portanto, é enriquecida por uma compreensão multifacetada do mundo empresarial, unindo tecnologia, gestão e comunicação estratégica. Além disso é CEO da FiscalTalks Inteligência Artificial, onde desenvolve vários projetos de IA para diversas areas.

Postagens recentes

Golden Brasil anuncia novo ciclo de crescimento, expansão global e oportunidades estratégicas

Novo ciclo esta se inicia nas empresas do grupo Grunde Brasil

2 dias atrás

Benefício de R$ 300 por mês abre novo lote de cadastro para mães elegíveis

Confirmação das candidatas selecionadas deve ser feita pela internet até o dia 23 de julho

2 dias atrás

Os impactos do Split Payment com a Reforma Tributária

O período de transição tributária exigirá dos gestores um olhar atento e estratégico sobre o…

2 dias atrás

Permanece aberto prazo para aderir ao parcelamento do PEM 2025

O PEM 2025 oferece condições significativamente melhores em comparação aos parcelamentos anteriores

2 dias atrás

Receita define regras para imposto sobre venda condicional de empresas

Nova solução de consulta define que parcelas complementares pagas após o cumprimento de metas configuram…

2 dias atrás

Evite multas: veja as regras e novidades da Declaração do ITR 2026

Receita Federal Publica Regras para a DITR e facilita envio sem necessidade de instalar programas

2 dias atrás