O Senado Federal deve avançar, neste primeiro semestre de 2026, na votação da reforma do Código Civil brasileiro. A Comissão Temporária para Atualização do Código Civil (CTCivil), instalada em setembro do ano passado, entra em sua fase decisiva de debates para consolidar o Projeto de Lei 4/2025, que visa modernizar a legislação vigente desde 2002 — a chamada “Constituição do cidadão comum”.
De autoria do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e sob relatoria de Veneziano Vital do Rego (MDB-PB), a proposta altera mais de 900 artigos e introduz 300 novos dispositivos.
O texto é fruto de um trabalho minucioso realizado por uma comissão de juristas coordenada pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Luis Felipe Salomão.
O principal eixo da reforma é a adaptação da lei à realidade interconectada. Segundo Rodrigo Pacheco, o objetivo é garantir segurança jurídica para negócios e simplificar processos cotidianos, como divórcios e inventários. “Atualizaremos institutos consolidados na jurisprudência e na doutrina que, pela antiguidade das ideias de 2002, ainda não estão positivados”, afirmou o senador durante os ciclos de debates.
Uma das inovações de maior alcance é a criação de um livro específico sobre Direito Digital. O texto aborda desde contratos eletrônicos e proteção de dados até a responsabilidade civil por atos em plataformas digitais e o uso de inteligência artificial.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, reforçou que a mudança é imperativa, citando dados do IBGE que apontam que mais de 91% dos domicílios brasileiros estão conectados à internet.
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Além da pauta tecnológica, o PL 4/2025 redesenha o Direito de Família, ampliando conceitos para abarcar as transformações sociais das últimas duas décadas. Outros temas sensíveis, como a tutela civil dos animais e a revisão do conceito de ato ilícito, também integram o relatório que será votado.
A CTCivil é composta por 11 senadores de diversos espectros políticos, buscando assegurar que a nova legislação possua representatividade social e econômica.
Com previsão de encerramento das atividades e votação do relatório final para o fim de junho, a comissão retoma os trabalhos em fevereiro. Estão previstas audiências sobre:
Para ampliar o diálogo com a sociedade civil e especialistas, o colegiado deve realizar reuniões fora de Brasília, com sessões previstas nas sedes da OAB no Rio de Janeiro e no Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP).
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