Servidora denuncia coação para fornecer senha de inserção de dados em carteiras de vacinação

Uma nova frente de investigação está sendo aberta em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, para apurar um possível esquema criminoso de fraude na vacinação envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Uma servidora em depoimento afirmou ter sido coagida a fornecer sua senha para adulteração de dados nas carteiras de vacinação.

Os malotes com as apreensões feitas no Rio chegam a Brasília nesta quinta-feira (4). Os investigadores agora vão analisar todo o material coletado, incluindo os celulares apreendidos com o ex-presidente, o tenente-coronel Mauro Cid e outros envolvidos.

Segundo a Polícia Federal, servidores da prefeitura de Caxias inseriram dados falsos de vacinação no Sistema Único de Saúde (SUS) para Bolsonaro, sua filha Laura, dois assessores e o deputado Gutemberg Reis (MDB).

A campanha de vacinação contra a Covid na cidade da Baixada Fluminense foi caracterizada por longas filas, aglomeração nos postos e falta de organização.

Devido a suspeitas de irregularidades na campanha, a Justiça bloqueou R$ 2,5 milhões do ex-prefeito, Washington Reis.

Leia Também: Bolsonaro Na Mira Da PF: Acusação De Fraudar Cartão De Vacina

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Nesta quarta-feira, o ex-presidente Jair Bolsonaro reafirmou que nem ele nem sua filha foram vacinados contra a Covid-19.

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

No entanto, os registros do Sistema da Rede Nacional de Dados em Saúde mostram que ambos receberam duas doses da vacina Pfizer, sendo que Bolsonaro teria tomado a primeira dose em 13 de agosto de 2022 e a segunda em 14 de outubro de 2022, no Centro Municipal de Saúde de Duque de Caxias.

Já sua filha, Laura, teria recebido a primeira dose em 24 de julho de 2022 e a segunda no mesmo dia em que Bolsonaro tomou a primeira dose, no Centro Municipal de Saúde de Duque de Caxias.

Segundo investigadores, os dados foram inseridos no sistema apenas em 21 de dezembro por João Carlos de Sousa Brecha, ex-secretário de Saúde na época e atual secretário municipal de Governo de Duque de Caxias.

O Ministério da Saúde revelou que Brecha fez mais de 60 inserções de dados de vacinação contra a Covid-19 no sistema em 2022. Ele foi um dos seis presos na Operação Venire nesta quarta-feira.

No entanto, uma semana depois da inserção dos dados, em 27 de dezembro, a chefe da Central de Vacinas de Caxias, Cláudia Helena Acosta Rodrigues da Silva, excluiu as informações sob a alegação de “erro”.

Esther Vasconcelos

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