Banco Central tem autonomia, mas não é intocável, diz Lula

Neste sábado (6), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar a taxa Selic, que foi mantida pelo Banco Central (BC) em 13,75% ao ano. Pela sexta vez seguida, na última semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) não mexeu na taxa, mesmo com as críticas do governo federal à sua redução.

Londres, Inglaterra/Foto: Ricardo Stuckert/PR – Agência Brasil

Lula disse que reconhece a autonomia do BC, mas questionou o compromisso do seu presidente, Roberto Campos Neto, com a lei que garantiu a autonomia da autarquia.

“Ele tem compromisso com quem, com o Brasil? Não tem, ele tem compromisso com o outro governo que o indicou [do ex-presidente Jair Bolsonaro], isso precisa ficar claro. E ele tem compromisso com aqueles que gostam de taxa de juro alto, porque não há outra explicação”, disse Lula, em Londres, em coletiva de imprensa após participar da coroação do Rei Charles III. 

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Autonomia do Banco Central

A autonomia do Banco Central é garantida por lei. Seus diretores têm mandatos de quatro anos. A entidade tem como obrigação assegurar a estabilidade de preços, ou seja, a inflação. Também deve zelar pela estabilidade e pela eficiência do sistema financeiro, suavizar as flutuações do nível de atividade econômica e fomentar o pleno emprego. 

“Se eu, como presidente, não puder reclamar do equívoco do presidente do Banco Central, quem vai reclamar, o presidente americano? Então, me desculpem, o Banco Central tem autonomia, mas ele não é intocável”, reforçou Lula.

“Se você tem compromisso com o crescimento da economia, compromisso com geração de emprego e compromisso com inflação, cuide dos três. Com os juros a 13,75%, os outros dois [atividade econômica e fomento ao emprego] não serão cumpridos”, avaliou o presidente. 

Embora tenham parado de subir em agosto do ano passado, os juros estão no nível mais alto desde o início de 2017.

Campos Neto, em recentes declarações, defendeu que as decisões da autarquia são técnicas. O presidente do BC vê com otimismo os projetos do governo para equilíbrio das contas públicas, que impactam nas estimativas de inflação.

Com informações da Agência Brasil

Jorge Roberto Wrigt

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