Dia das Mães será o pior desde maio de 2009, prevê FecomercioSP

A mais grave crise econômica das últimas décadas deve levar este mês de maio a ser o pior no quesito vendas desde 2009. A previsão é da assessoria econômica da FecomercioSP, que projeta receita total de R$ 43,5 bilhões para o mês. Se confirmada, será a terceira queda consecutiva nas vendas do varejo paulista no mês em que se comemora o Dia das Mães , a segunda data comemorativa mais importante para o varejo, atrás apenas do natal. Em 2015, as vendas somaram cerca de R$ 47 bilhões e, em 2014, aproximadamente, R$ 50 bilhões.

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Os cálculos têm como base a série histórica da Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista do Estado de São Paulo (PCCV), iniciada em 2008. De acordo com as projeções dos economistas da FecomercioSP, o faturamento real do varejo paulista deve recuar 6% em maio na comparação com o mesmo mês de 2015. Nesse intervalo de tempo no ano passado, a queda também foi de 6%, frente a 2014.

É bom frisar que o decréscimo não se deve exclusivamente ao Dia das Mães, já que o levantamento engloba todo o mês e inclui segmentos como autopeças e acessórios, concessionárias de veículos e materiais de construção, que têm muito mais relevância no conjunto do recuo e, a rigor, praticamente nenhuma ligação com a data festiva.

Cenário pessimista

A Entidade ressalta a conjuntura macroeconômica atual e a deterioração das principais variáveis determinantes consumo. . Além disso, considera-se a pouca disposição das famílias para contrair dívidas, detalhada na Pesquisa de Risco e Intenção de Endividamento (PRIE) da FecomercioSP. Em março, o levantamento detectou que apenas 7,5% dos consumidores paulistanos tinham intenção de contrair empréstimos nos três meses seguintes. Trata-se do menor valor já registrado desde o início do estudo, em 2012.

O Índice de Intenção de Consumo das Famílias paulistanas, também divulgado pela FecomercioSP, permanece no nível insatisfação – abaixo dos 100 pontos – desde maio do ano passado. Em março, o indicador ficou em 70,6 pontos, valor 33,2% inferior ao registrado em março de 2015.

Vale ressaltar também o quadro de restrição na oferta de crédito por parte de bancos e financeiras, que estão muito seletivos na concessão de empréstimos.

Outro fator ruim é que o orçamento das famílias segue comprometido pelos altos preços dos bens de primeira necessidade. Também há que considerar o recuo da renda real e o aumento significativo do desemprego desde o Dia das Mães do ano passado. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em janeiro de 2015, o índice de desemprego era de 6,8%. No mesmo mês deste ano (dado mais recente disponível), esse patamar era 9,5%.

Lembrancinhas

Os dados da Entidade sugerem, portanto, que os presentes de valor mais elevado, como eletrodomésticos e eletrônicos, por exemplo, devem perder espaço na lista dos mais vendidos, dando lugar a itens mais baratos, que comprometam menos o orçamento e não exijam financiamento.

Entre todas as atividades do varejo, o movimento das lojas de vestuário e calçados é o mais beneficiado pelo Dia das Mães. Por causa das vendas para a data, o mês de maio representa 10% das receitas do setor no ano, ficando atrás apenas de dezembro, quando o faturamento é alavancado pelas festividades natalinas.

Entretanto, por causa da crise, a FecomercioSP está prevendo um recuo de até 17% das vendas do setor no mês de maio na comparação com o mesmo período do ano anterior. Em maio de 2015, o setor já havia registrado retração de 3,1% nas receitas em relação a maio de 2014.

Poucos produtos escaparam da forte pressão de custos observada no varejo. Apesar do movimento fraco do comércio e das seguidas quedas das vendas, muitos itens das listas de presente para as mães apresentam alta de preços superior à inflação média acumulada em 12 meses até março (de 9,84%, segundo a pesquisa Custo de Vida por Classe Social – CVCS da FecomercioSP). Destaque para Joia (23,8%), Televisor (16,1%), Bicicleta (14,6%) e Lingerie (11,7%).

Por outro lado, Bijuteria registrou queda de preços no mesmo período (-3,2%), enquanto Sandália (1,1%), Sapato Feminino (2,1%), Perfume (9%) e Artigos de Maquiagem (9,5%) apresentaram altas de preço inferiores à inflação média.

Em 2015, as vendas em lojas de vestuário e calçados registraram queda de 12% . No segmento de Eletrodomésticos e eletrônicos e lojas de departamentos (que inclui o celular, presente usual na data), o tombo foi de 15%. Para Móveis e decoração, a retração chegou a 12,6%.

No primeiro semestre de 2016, a assessoria da FecomercioSP acredita que a situação se deteriore ainda mais, com queda expressiva nesses setores. Para o segundo semestre, a expectativa é de melhora gradual, provocada por eventuais mudanças na política econômica que gerem expectativas positivas e disseminem novo ânimo até o Natal.

Fonte: FECOMERCIOSP
CLIQUE AQUI e leia a matéria original no site da FECOMERCIOSP

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