Falta de endereço em favelas dificulta registro de domicílios no Censo

O censo ou recenseamento demográfico é um estudo estatístico referente a uma população que possibilita o recolhimento de várias informações, tais como o número de homens, mulheres, crianças e idosos, onde e como vivem as pessoas.

As informações coletadas dizem respeito a:

  • Quantidade pessoas que moram no país, Estados e municípios;
  • Quantidade de homens e mulheres;
  • Se existem mais pessoas morando na zona urbana ou rural;
  • Quantidade de pessoas trabalhando e desempregadas;
  • Renda salarial do povo brasileiro.

O último Censo realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) foi em 2022. No entanto, a pesquisa ficou incompleta, o que está obrigando o IBGE a revisitar todos os lugares que ainda apresentam índices altos de entrevistas não realizadas, por ausência dos moradores ou por recusa.

O Instituto verificou que nas áreas de favelas e comunidades urbanas, além de ausência e recusa, há outros desafios: muitas vezes não existe endereço, o que dificulta o percurso dos recenseadores e o registro dos domicílios.

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“Nas áreas mais densas, a coleta também pode ser dificultada, pois há maiores chances de omissão de domicílios (de fundos ou na laje) por parte do recenseador. Há ainda problemas de acesso e circulação em algumas comunidades por causa do desconhecimento do recenseador e receio do morador em receber [o recenseador]”, informou o IBGE.

O órgão acrescentou que todos os domicílios precisam ser visitados, por isso, existe a necessidade de uma ampla divulgação.

“Para que todos os domicílios sejam visitados, o IBGE está fazendo ampla divulgação da coleta em favelas e comunidades urbanas, para que os próprios moradores recebam e auxiliem o recenseador, indicando as melhores rotas e o local de moradias”, acrescentou o órgão.

Pesquisa no mês de março

Neste mês de março, o IBGE fechou uma parceria com o IPP (Instituto Pereira Passos), órgão de pesquisa da prefeitura do Rio de Janeiro, para reduzir o percentual de domicílios que não responderam ao Censo nos aglomerados subnormais da cidade, que está em torno de 9%.

Com a parceria, será possível a contratação de ex-agentes de Territórios Sociais, programa da prefeitura com o ONU-Habitat – Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos, em que são realizadas pesquisas domiciliares em grandes favelas do Rio, como Rocinha e Maré.

Segundo o IBGE, os novos recenseadores já trabalharam em outras fases anteriores do Territórios Sociais, o que significa que eles possuem experiência com pesquisas domiciliares nas localidades prioritárias. 

O Instituto também realizou na semana passada, um treinamento com esses recenseadores para que eles tenham um conhecimento mais profundo sobre o questionário utilizado no Censo.

Recenseadores já estão visitando

Os recenseadores já estão indo a campo na última fase da operação censitária, a etapa de apuração, que abrange os trabalhos de análise dos dados coletados, começou na quinta-feira (16). 

Agora, eles irão buscar por moradores que estavam ausentes no momento da visita ou que se recusaram a responder o questionário.

Jorge Roberto Wrigt

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