IR: Falta de atualização da tabela prejudica cerca de 10 milhões

A tabela de isenção do Imposto de Renda está sem atualização desde 2015 e acumula defasagem de mais de 100% quando é comparado o saldo entre 1996 e 2019. De acordo com o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco Nacional), a diferença entre o IPCA acumulado de 1996 a 2019 e a correção da tabela no mesmo período chega a 103,87%.

Ou seja, com isso, mais trabalhadores deveriam estar isentos da declaração anual do Imposto de Renda 2020 se o valor estivesse corrigido.

 Quem obteve rendimento anual superior a R$ 28.559,70 em 2019 é obrigado a fazer a declaração do IR e poderá ter restituição ou não, tudo depende da comprovação que apresentar a Receita Federal.

Contudo, se a tabela fosse corrigida de forma correta pela inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), esse valor de isenção seria muito maior.  Segundo o sindicato, o número de pessoas isentas passaria de 10 milhões para 20 milhões, caso a correção fosse feita já este ano para o Imposto de Renda 2020.

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A defasagem acima de 100% indica que a faixa de isenção deveria mais do que dobrar para compensar as perdas com a inflação nos últimos 23 anos. Segundo o Sindifisco Nacional, os contribuintes que recebem até R$ 3.881,65 por mês deveriam estar isentos do IRPF.

Segundo o Sindifisco, o atraso na correção da tabela leva a um efeito cascata que não apenas aumenta o imposto descontado na fonte como diminui as deduções.

De acordo com o levantamento, a dedução por dependente, hoje em R$ 189,59 por mês (R$ 2.275,08 por ano), corresponderia a R$ 387,20 por mês (R$ 4.646,40 por ano), caso a tabela tivesse sido integralmente corrigida. O teto das deduções com educação, de R$ 3.561,50 em 2019, chegaria a R$ 7.260,83 sem a defasagem na tabela.

Desde 2015, a tabela do Imposto de Renda não sofre alterações. De 1996 a 2014, a tabela foi corrigida em 109,63%. O IPCA acumulado, no entanto, está em 327,37%. De acordo com o Sindifisco Nacional, a falta de correção na tabela prejudica principalmente os contribuintes de menor renda, que estariam na faixa de isenção, mas são tributados em 7,5% por causa da defasagem.

No fim do ano passado, o presidente Jair Bolsonaro tinha comentado, em entrevista no Palácio da Alvorada, que o governo pretendia elevar para R$ 3 mil a faixa de isenção do Imposto de Renda. A medida, no entanto, ainda está apenas no campo das intenções, sem previsão para entrar em vigor.

O prazo final para entrega da declaração anual em 2020 é 28 de abril. Fique atento!

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Leonardo Grandchamp

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