laudenio / imagem: freepik
Imagine comprar um apartamento em um bairro nobre de São Paulo ou uma casa histórica no interior e descobrir que, além dos impostos governamentais, você deve uma porcentagem do valor da venda à Igreja Católica. Essa é a realidade de milhares de brasileiros que vivem em terrenos sob o regime de laudêmio, uma taxa que remonta ao Brasil Colônia e que mantém instituições religiosas como “coproprietárias” de vastas áreas urbanas.
O laudêmio não é um imposto (pago ao Estado), mas uma compensação civil. Ele ocorre devido a um modelo jurídico antigo chamado enfiteuse (ou aforamento).
Nesse sistema, a propriedade é dividida em duas partes:
1.Domínio Direto: Pertence ao “senhorio” (neste caso, a Igreja ou a União).
2.Domínio Útil: Pertence ao morador, que pode usar, alugar ou vender o imóvel.
Sempre que o morador decide vender o “domínio útil” para outra pessoa, ele precisa pagar o laudêmio ao dono do “domínio direto” para que este renuncie ao seu direito de preferência na compra. O valor geralmente gira em torno de 2,5% do valor da transação.
Diferente do laudêmio da União (comum em terrenos de marinha no litoral), o laudêmio eclesiástico é fruto de doações históricas. No período colonial, era comum que grandes fazendeiros doassem terras a paróquias ou ordens religiosas como forma de pagamento de promessas ou para garantir a “salvação da alma”.
Muitas dessas terras, que antes eram matas ou fazendas, tornaram-se o centro de grandes metrópoles. Hoje, a Igreja se beneficia de:
São Paulo, por sua colonização antiga e forte influência de ordens religiosas, é um dos estados onde o laudêmio eclesiástico é mais presente.
Embora o Código Civil de 2002 tenha proibido a criação de novas enfiteuses, ele manteve as já existentes. Isso significa que, enquanto o imóvel não passar pelo processo de remição de foro (quando o morador paga uma quantia elevada para “comprar” a parte da Igreja e se tornar proprietário pleno), a taxa continuará sendo cobrada.
Para muitos especialistas, o laudêmio é algo obsoleto que encarece o mercado imobiliário e gera uma desigualdade histórica. Para a Igreja, é uma fonte de recursos que auxilia na manutenção de obras sociais, igrejas históricas e seminários.
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Por Lucas de Sá Pereira, contador https://contadorlucaspereira.shop/, e colunista do Jornal Contábil e criador do instagram @contadorlucaspereira
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