Operação desarticula fraude estimada em mais de R$ 500 milhões no setor do agronegócio

O Estado de Goiás amanheceu na quinta-feira, dia 28, com a notícia de que mais de 70 empresas estavam envolvidas em um esquema de sonegação de ICMS. O fato foi divulgado pela Secretaria Estadual da Economia de Goiás e as empresas envolvidas são do ramo do agronegócio.

Durante a ação, denominada “Operação Fora do Mapa”, foram identificadas 73 empresas que supostamente se aproveitavam de incentivos fiscais concedidos exclusivamente a fabricantes de ração animal, configurando uma prática irregular e injusta.

De acordo com a Receita Estadual, a operação identificou que a sonegação aconteceu neste ano. As empresas, que faturaram R$ 2 bilhões, simulavam a fabricação de ração animal para obter isenção fiscal.

A Receita Estadual está empenhada em reaver o imposto sonegado e aplicar as devidas multas, conforme o Código Tributário do Estado de Goiás. A operação também visa combater a concorrência desleal, que prejudica as empresas que atuam de maneira legítima e honesta.

As investigações revelaram que as empresas envolvidas obtinham incentivos fiscais de forma indevida, comprometendo a arrecadação de tributos e impactando a competitividade do setor. 

Além disso, constatou-se que houve manipulação de documentações no sistema de arrecadação tributária, o que agrava ainda mais as irregularidades.

Como era o esquema

As empresas se registravam como fabricantes de ração animal para usufruir de benefícios fiscais e, assim, não pagavam o ICMS. Isso permitia que oferecessem preços mais competitivos aos produtores, prejudicando aqueles que operam dentro da legalidade. Todavia, 100% das 73 empresas investigadas nunca fabricaram ração.

Dessa forma, essas práticas configuram crimes como falsidade ideológica e crimes contra a ordem tributária. Além das sanções penais, as empresas também enfrentarão multas significativas.

As empresas estão atualmente lacradas e a Receita Estadual está empenhada em reaver os valores sonegados.

Alerta aos produtores

A Receita Federal explicou que o requisito básico para uma empresa ser considerada fabricante de ração é a inscrição no Ministério da Agricultura e Pecuária. 

Caso a empresa não possua essa inscrição, ela não pode receber a classificação como fabricante de ração. Portanto, os produtores e a população correm riscos ao comercializar com esse tipo de empresa.

Ana Luzia Rodrigues

Formada em jornalismo há mais de 30 anos, já passou por diversas redações dos jornais do interior onde ocupou cargos como repórter e editora-chefe. Também já foi assessora de imprensa da Câmara Municipal de Teresópolis. Atuante no Jornal Contábil desde 2021.

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