Por que o setor de serviços tem ganhado fôlego superando o nível pré-pandemia

Com o avanço da vacinação contra a Covid-19 e a retomada gradual das atividades econômicas no País, o setor de serviços voltou a aquecer depois de um longo período de retração. 

O último dado divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica tendência de alta no segmento.

Segundo os dados, houve um crescimento de 1,7% em junho, superando pela terceira vez no ano o patamar pré-pandemia.

Essa foi a terceira alta consecutiva no volume de serviços prestados no País em 2021. Em maio, o segmento já havia ficado acima dos indicadores referentes ao momento pré-pandêmico.

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Com o resultado, o setor de serviços acumula um crescimento de 4,4%. Em comparação com o período pré-pandemia, o nível é 2,4% superior ao aferido em fevereiro de 2020.

Além disso, é o patamar mais elevado desde 2016.

Embora ainda não seja o suficiente para recuperar as perdas registradas desde a chegada da crise sanitária, o aumento pode representar o início de uma nova fase.

Mas, afinal, quais são os fatores que podem ter motivado essa elevação?

Vacina e flexibilização do isolamento social

A expansão da Covid-19 causou impactos imensuráveis. Se na área da saúde houve colapso nos sistemas público e particular, na economia foi registrada uma paralisação jamais vista na história.

Comércio fechado, serviços interrompidos, ruas vazias e o medo instalado no coração de cada pessoa que via, dia após dia, o número de casos, ocupação de leitos de UTI e óbitos subir aceleradamente.

Esse cenário piorou todos os indicadores econômicos. Só em março de 2021, por exemplo, a retração no setor de serviços foi de 3,4%. O desemprego também atingiu o recorde de 14,7% no primeiro trimestre deste ano.

Contudo, a partir de abril, com o avanço da vacinação no País e a flexibilização da quarentena, o segmento voltou a crescer de forma avançada.

A nível nacional, 23 dos 27 Estados apresentaram expansão no volume de serviços em maio de 2021. São Paulo foi onde o setor mais cresceu, com alta de 2,5%.

Logística puxa o crescimento

Em maio, um dos segmentos que impulsionou a alta registrada pelo IBGE foi o de transportes, serviços auxiliares aos transportes, serviços de fretes e correio, que registrou uma elevação de 3,7%.

O segmento alcançou em maio o seu maior patamar na série histórica da pesquisa do IBGE.

Esse resultado se deve a fatores como aumento da demanda por serviços, flexibilização das medidas de isolamento social e fortalecimento dos transportes.

Em maio, só o transporte aéreo cresceu 60,7%. 

A retomada das empresas de logística, aeroportos e concessionárias rodoviárias também contribuíram com esse crescimento.

No mês de junho, o destaque ficou para a alta nos serviços prestados às famílias (8,1%), serviços de informação e comunicação (2,5%), e transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (1,7%).

Conquista de novos negócios

Além da melhora dos resultados no setor, o segundo trimestre de 2021 marcou um aumento no volume de novos negócios, o que levou à maior expansão de produção de serviços no Brasil desde 2013. 

Segundo dados da IHS Markit, o PMI (Pesquisa de Índice de Gerentes de Compras) de serviços subiu de 53,9, em junho, para 54,4, em julho.

Esse foi o crescimento mais rápido registrado nos últimos oito anos. 

Entre as razões para o crescimento apontadas pela pesquisa estão a conquista de novos clientes, o aumento da demanda por serviços e a flexibilização das medidas de isolamento social adotadas para conter o avanço da pandemia. 

Ainda de acordo com IHS Markit, todas as cinco grandes áreas do setor registraram aumento no número de novos negócios e do índice de produção, sendo que o segmento de maior destaque foi o de Informação e Comunicação. 

O aquecimento do setor de serviços levou as empresas a contratarem mais profissionais, fazendo com que a alta do subíndice de emprego fosse a mais rápida em 11 anos. 

Manter o crescimento contínuo deste segmento é também garantir a retomada econômica do País, uma vez que ele representa sozinho cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil. 

Gabriel Dau

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