Receita Federal e as grandes fraudes bilionárias

Os noticiários foram tomados pela notícia do grande rombo da ordem de  R$ 40 bilhões que ocorreu com a rede Lojas Americanas. Em seu comunicado, a holding alegou “inconsistências contábeis”. Isso provocou um alvoroço no mercado financeiro e trouxe incertezas quanto ao futuro da empresa. 

Além disso, de acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), a dívida tributária sinalizada é de R$ 657 milhões. Ou seja, um valor que não é pouca coisa. Para não cair na Dívida Ativa, a empresa precisaria pagar em torno de R$ 131 milhões em relação ao valor devido, caso decidisse pagar a dívida diretamente à Receita Federal do Brasil (RFB), ainda no âmbito administrativo.

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Falta de investimento

O leitor há de convir que as cifras são bem significativas. Um rombo desse tamanho leva a se questionar o papel da fiscalização. Os últimos quatro anos foram de estagnação no que diz respeito a orçamento, equipamentos e aparelhamento nos quais os agentes privados se abstém de suas obrigações tributárias e fiscais.

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Ou seja, a não fiscalização do Estado na iniciativa privada pode gerar consequências devastadoras onde o infrator tem pouco risco e o coletivo fica com o prejuízo, ou “paga o pato”, como diz o ditado popular.

Todavia, a realidade é que a reduzida capacidade da Receita atuar em cima de grandes planejamentos e grandes fraudes segue atrelada à ausência de investimento na inteligência fiscal, equipamentos e pessoal.

O desmonte dos órgãos de fiscalização dificulta ou inviabiliza iniciativas do Fisco para auditar a regularidade das obrigações tributárias dessas empresas, constituindo, se for o caso, os créditos tributários para que a União não seja lesada em consequência do quadro de recuperação judicial e falência do grupo.

A falta de investimento no aparelhamento da Receita Federal faz com que o órgão fique bem longe de suas metas, que são o combate à sonegação, o combate à fraude fiscal, o combate à evasão e o combate aos atos ilícitos. 

Há um longo caminho a percorrer para chegar perto do cenário ideal, todavia este fato ocorrido com a holding citada, alerta para o fato de que algo precisa ser feito urgentemente. Dessa forma, a Receita Federal se fortalece e restaura suas autoridades fiscais tributárias e, consequentemente, do próprio Estado.

Ana Luzia Rodrigues

Formada em jornalismo há mais de 30 anos, já passou por diversas redações dos jornais do interior onde ocupou cargos como repórter e editora-chefe. Também já foi assessora de imprensa da Câmara Municipal de Teresópolis. Atuante no Jornal Contábil desde 2021.

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