A pressão real da rotina contábil / imagem: Canva Pro editado por Jornal Contábil
Recentemente, uma palavra tem preocupado cada vez mais contadores: esgotamento. No dia a dia e na correria, deixa-se de lado uma preocupação que não deveria ser secundária, a saúde mental de uma profissão que sustenta as finanças de um país inteiro e cobra, silenciosamente, um preço alto de quem a exerce.
A realidade que vemos em meio a tantas mudanças fiscais, tem causado cada vez mais receio e claro, ansiedade. Afinal, o que esperar e como orientar o cliente que cobra entender como de fato sua empresa será tributada.
Além disso, os prazos são os maiores tomadores de tempo de todo profissional contábil.Há pouco tempo, nós do Jornal Contábil publicamos uma matéria sobre Burnout — CID-10 — em tempos de imprevisibilidade para o contador. A repercussão no Instagram foi imediata ( Veja a publicação aqui) comentários aos montes, carregados de preocupação, ansiedade e o peso real de quem vive essa pressão todos os dias.
Em um clique no Google vemos diversos artigos e pesquisas científicas demonstrando exatamente esse cansaço e a forma como o contabilista é visto de forma impessoal e muito mais tecnicista.
O problema começa quando o esgotamento deixa de ser percebido como um sinal de alerta e passa a ser tratado como parte do trabalho. Dor de cabeça constante, insônia, irritabilidade fora do ambiente profissional, dificuldade de concentração, etc. “Ossos do Ofício”, muitas vezes dito, não é mesmo? É o que se aceita. E é exatamente aí que mora o perigo.
O estresse prolongado age de forma insidiosa. Diferente de uma crise aguda, ele não chega com alarmes. Vai se instalando aos poucos nas “paredes” da rotina, na qualidade do sono que piora sem que se perceba, no prazer pelo trabalho que vai diminuindo devagar, na paciência que some antes de entender por quê.
A síndrome de burnout, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como fenômeno ocupacional desde 2019, não é fraqueza. É o resultado de quem se importou demais, por tempo demais, sem o suporte que merecia.
O contador equilibra as finanças de empresas, famílias e instituições. Interpreta uma legislação que muda antes que a tinta da norma anterior seque. Responde a clientes em horários que não existem em nenhum contrato e faz tudo isso, muitas vezes, sem que ninguém pergunte como ele está.
A conversa sobre saúde mental dos contadores não é sobre fragilidade. É sobre reconhecer que existe um limite humano que nenhum software substitui e nenhum prazo fiscal respeita automaticamente. É sobre entender que a qualidade do trabalho entregue está diretamente conectada à qualidade de vida de quem o entrega.
Lembre de se priorizar. Se você sente algum desses sintomas e percebe que eles estão atravessando a porta de casa junto com você, busque ajuda médica! Sabemos que, não é fácil, não é mesmo? Mas só de você enxergar isso e buscar ajuda, já é um grande passo tomado.
Nós do Jornal Contábil nos solidarizamos com você: contador, empresário, mãe, pai e indivíduo antes de qualquer título profissional.
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