Apostas online podem custar seu emprego: entenda como empresas lidam com funcionários apostadores
Recentemente, instituições bancárias no Brasil começaram a implementar restrições nos limites de crédito para clientes envolvidos em apostas em plataformas de jogos eletrônicos, comumente conhecidas como “bets”. Essa medida, que visa prevenir o aumento da inadimplência, surge em um momento em que a regulamentação do setor está sendo discutida pelo Ministério da Fazenda, embora suas normas só venham a ser aplicadas a partir de 1º de janeiro de 2025.
Com a proibição do uso de cartões de crédito para transações relacionadas a apostas já estabelecida pelas bandeiras desde 1º de outubro deste ano, os bancos agora buscam métodos eficazes para identificar novos apostadores e restringir a concessão de crédito a esse público específico. Fontes ligadas ao setor indicam que essa abordagem é uma resposta direta às crescentes preocupações da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) sobre o risco de inadimplência associado a esses clientes.
Através de um sistema que combina tecnologia avançada e análise de dados, as instituições financeiras estão monitorando transações realizadas via Pix, cartões de débito e crédito em estabelecimentos identificados como casas de apostas. Para tal, utilizam o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e a Classificação Nacional das Atividades Econômicas (CNAE), elementos essenciais para rastrear essas atividades comerciais.
Uma vez identificados os clientes que realizam apostas, os bancos têm a capacidade de ajustar os limites de crédito existentes. No caso dos novos clientes, no entanto, essa tarefa se torna mais complexa devido à falta de um histórico financeiro prévio. Para contornar essa dificuldade, as instituições têm solicitado ao Banco Central acesso a uma lista abrangente com os nomes dos apostadores, o que permitiria aprimorar seus sistemas de inteligência artificial na identificação comportamental e financeira desses usuários.
Estudos realizados pela Febraban sugerem que a inadimplência entre beneficiários do Bolsa Família pode aumentar até 14% em decorrência das apostas em bets. Se considerarmos todos os empréstimos pessoais, essa taxa pode chegar a 27,1%. Contudo, essa medida ainda depende da aprovação regulatória do Banco Central, que está analisando questões relacionadas à confidencialidade dos dados.
Enquanto aguardam essa decisão, os bancos continuam utilizando suas bases de dados e algoritmos próprios para monitorar o comportamento financeiro dos novos clientes apostadores. O professor Leonardo Pessoa do Ibmec alerta que qualquer ação que viole o Código de Defesa do Consumidor pode resultar em ações judiciais por danos morais ou patrimoniais. Segundo ele, se um cliente for impedido de adquirir bens essenciais devido à redução arbitrária do limite de crédito, poderá buscar reparação judicial.
A Febraban reafirma que as decisões sobre concessão ou redução de crédito são baseadas nas políticas específicas de cada instituição, levando em consideração variáveis como renda e perfil financeiro. Por sua vez, a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) esclarece que não interfere nas diretrizes individuais dos emissores.
Dentre os bancos consultados, o Itaú Unibanco destacou ter adotado medidas precoces ao integrar análises relacionadas a apostas online em seus modelos de risco. O Santander enfatizou sua abordagem abrangente na avaliação do risco do cliente. Já o Bradesco e o Banco do Brasil incluem análises detalhadas sobre as transações relacionadas a apostas como parte integral da sua estratégia de gestão financeira.
A Caixa Econômica Federal também afirmou estar atenta às movimentações do mercado e às transações realizadas por meio de cartões. O Nubank informou que menos de 1% do volume financeiro transferido via PIX é destinado a apostas, mas já considera esse comportamento em seus modelos analíticos. Por fim, o C6 Bank revelou que bloqueia o uso dos cartões para apostas e monitora ativamente as transações financeiras ligadas ao setor.
Esta obrigação acessória tem seu prazo de envio até o dia 31 de julho
Como a nova padronização de campos exige uma ponte rápida entre escritórios contábeis, transportadoras e…
Resolução do Conselho de Recursos da Previdência Social detalha exigências específicas para cada categoria de…
Prazo de adesão ao programa da PGFN vai até 30/09. Contudo é preciso cautela com…
Proposta que unifica regras trabalhistas para jovens e pessoas com deficiência deve retornar à pauta…
Editais oferecem descontos e parcelamentos para débitos em contencioso administrativo. As adesões vão até 30…