Covid-19 amplia os riscos da indústria brasileira

Notícias publicadas na imprensa revelam que uma das atuais preocupações dos empresários brasileiros está na possibilidade do mundo e do Brasil receberem produtos chineses a preços de liquidação. Esse já é um risco à indústria nacional que sabe que, com elevados estoques chineses e demanda mundial em baixa, haverá uma inevitável disputa ainda mais difícil para as empresas brasileiras.

Outro risco para a indústria brasileira está relacionado com a possibilidade da perda de comércio com a Ásia em função de acordo dos Estados Unidos com a China, o qual pressupõe um incremento de US$ 200 bilhões nas importações, pela China, de produtos americanos.

O problema também está sendo observado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Estudo desta entidade revelou, que, dos produtos abrangidos pelo acordo, o Brasil respondeu por 3% das importações realizadas pela China em 2017, vendas que geraram receitas de US$ 32,3 bilhões e representam 68,1% das exportações brasileiras para aquele país.

Esses riscos, gerados pela pandemia, se integram a outros já mapeados no conteúdo “Riscos para o Setor de Manufatura 2019/2020”, da KPMG. Neste material, os riscos emergentes do setor são provenientes de tendências atreladas a inovações e tecnologias disruptivas, mas há também riscos já existentes que serão discutidos.

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Sobre rentabilidade e liquidez, em função da globalização, as empresas enfrentam riscos envolvendo fornecedores de terceiros. Mas há também outros riscos já existentes: operacional, entrada em novos mercados, riscos políticos, deficiências na cadeia de suprimentos, cronogramas agressivos de lançamentos que geram suscetibilidade a erros, aumento nos custos de energia, escassez de matéria-prima e ineficiência na distribuição.

Sobre compliance, o relatório evidenciou que, caso uma empresa não esteja apta a proteger direitos de propriedade intelectual, há outras companhias potencialmente aptas a concorrer com ela. Ainda sobre riscos deste setor em compliance, as operações internacionais precisam seguir as normas contábeis exigidas, há riscos regulatórios, disputas e processos judiciais e riscos relacionados às mudanças nas alíquotas de impostos.

Há outros riscos emergentes e existentes relevantes neste setor relacionados com diferentes aspectos dos negócios, como elementos de reputação, ética, sociedade, pessoas, estratégia, clientes, saúde, segurança, meio ambiente, crescimento, concorrência, tecnologia, produtos e operações.

Destes, há alguns que demandam atenção máxima dos líderes empresariais: nacionalismo e protecionismo levam a barreiras comerciais; crescente pressão para desenvolver, atualizar, lançar e comercializar novos produtos; medidas de segurança cibernética insuficientes; preços oscilantes de equipamentos; elevados custos relacionados com pesquisa e desenvolvimento.

Não bastassem os riscos existentes antes da pandemia, agora os empresários brasileiros do setor industrial precisam superar novos desafios. Para tanto, terão que dedicar parte dos investimentos para ampliar a competitividade, ocupar espaços e gerar negócios. É a única saída possível para vencer os novos desafios e permanecer no mercado.

*Emerson Melo é sócio e líder de Industrial Manufacturing da KPMG no Brasil.


Sobre a KPMG

A KPMG é uma rede global de firmas independentes que prestam serviços profissionais de Audit, Tax e Advisory. Estamos presentes em 154 países e territórios, com 200.000 profissionais atuando em firmas-membro em todo o mundo. No Brasil, são aproximadamente 4.000 profissionais, distribuídos em 22 cidades localizadas em 13 Estados e Distrito Federal.

Orientada pelo seu propósito de empoderar a mudança, a KPMG tornou-se uma empresa referência no segmento em que atua. Compartilhamos valor e inspiramos confiança no mercado de capitais e nas comunidades há mais de 100 anos, transformando pessoas e empresas e gerando impactos positivos que contribuem para a realização de mudanças sustentáveis em nossos clientes, governos e sociedade civil.

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Ricardo de Freitas

Ricardo de Freitas não é apenas o CEO e Jornalista do Portal Jornal Contábil, mas também possui uma sólida trajetória como principal executivo e consultor de grandes empresas de software no Brasil. Sua experiência no setor de tecnologia, adquirida até 2013, o proporcionou uma visão estratégica sobre as necessidades e desafios das empresas. Ainda em 2010, demonstrou sua expertise em comunicação e negócios ao lançar com sucesso o livro "A Revolução de Marketing para Empresas de Contabilidade", uma obra que se tornou referência para o setor contábil em busca de novas abordagens de marketing e relacionamento com clientes. Sua liderança no Jornal Contábil, portanto, é enriquecida por uma compreensão multifacetada do mundo empresarial, unindo tecnologia, gestão e comunicação estratégica. Além disso é CEO da FiscalTalks Inteligência Artificial, onde desenvolve vários projetos de IA para diversas areas.

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