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Desapego do conhecimento? Entenda e saiba como isso pode mudar sua carreira

Autor: Esther Vasconcelos

Publicado em

Creio que você em algum momento já deve ter ouvido falar a respeito, e quem sabe até praticado o desapego de coisas que não utiliza mais.

Quem não lembra do slogan da propaganda “Desapega, Desapega, OLX!”?

Quando nos referimos a coisas que estão encostadas em um canto da casa ou guardadas no fundo do armário ou na garagem, talvez a ação do desapego seja um pouco mais fácil, pois além de liberar espaço físico pode se transformar, em muitos casos, em valor financeiro, ou seja, uma monetização mesmo que pequena.

E quem, principalmente neste momento de pandemia, não valoriza uma entrada de caixa inesperada?

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Você já parou para pensar que isso pode estar acontecendo com você também em relação ao seu conhecimento profissional? Para a maioria das pessoas é muito difícil pensar nesse desapego de conhecimentos adquiridos no passado, pois elas investiram muito esforço e tempo, e, na maior parte das vezes, financeiramente.

A pergunta que vem à cabeça é “poxa, eu investi tanto tempo, esforço e dinheiro para aprender determinado conhecimento profissional, como agora devo simplesmente deixá-lo de lado?”

Realmente não é tarefa fácil, mas no mundo moderno e tecnológico de hoje é quase imprescindível.

Talvez você esteja se preocupando demais em como utilizar ou reutilizar esse conhecimento em vez de simplesmente deixá-lo de lado e olhar para frente.

Não que os conhecimentos adquiridos devam ser ignorados, eles servem de base para aquisição de novos conhecimentos, mas devemos tratá-los como algo do passado e aprender a nos reciclar, nos reinventar.

Cada vez mais, o surgimento de novas tecnologias, novas metodologias, novas formas de trabalhar faz com que devamos nos preparar para o novo.

O “re-skill” é obrigatório. Esqueça as linguagens de programação antigas, os modelos de infraestrutura centrados em equipamentos físicos, a execução manual de atividades repetitivas, as estruturas organizacionais hierárquicas, as implementações de soluções que levam anos sem atender à evolução das necessidades de negócio. É difícil, mas aprenda a desapegar desse conhecimento.

Invista seu tempo, esforço e dinheiro em novos aprendizados: tecnologias como robotização e automação, inteligência artificial, aprendizado de máquina; funcionamento das nuvens (cloud), públicas, privadas e híbridas; como trabalhar em estruturas organizacionais distribuídas; como gerar valor para o negócio por meio da implementação de soluções com utilização de metodologias ágeis. Apegue-se a novos conhecimentos.

Mas atenção: em breve pode ser que esses conhecimentos também fiquem ultrapassados, e novos conhecimentos deverão ser adquiridos. 

O fato é que muitos profissionais terão dificuldade para se ajustar ao desaparecimento do trabalho que compreendem, e encontrarão dificuldade em prosperar com o trabalho que não entendem.

E isso vale também para as novas gerações, que já nasceram em um mundo conectado, como as gerações Z e Alpha.

De acordo com pesquisa da McKinsey, 42% dos jovens entre 17 e 23 anos já estão trabalhando, seja em período integral, meio período ou como freelancer.

A velocidade de evolução e transformação é enorme, e talvez essas novas gerações já contem com mais adaptabilidade e flexibilidade nesse processo de desapego e aprendizado contínuo. Mas nem eles estão imunes, com certeza, também deverão aprender a praticar o desapego.

Não tenha medo de se reinventar. Pratique o desapego do conhecimento. “Jogue fora” o que não lhe serve mais e aprenda o novo.

O aprendizado constante é o que pode fazer com que um profissional não sinta de maneira drástica as mudanças pelas quais o mercado de trabalho vem passando e vai continuar passando, de maneira acelerada. E, com isso, possa também se manter sempre atraente para o empregador.

Há uma frase que li, do escritor, designer e publicitário, Gutto Carrer Lima, que diz: “Obsolescência. Acho que tô precisando me reinventar. De novo”.

Assim como no esporte, quanto mais você praticar o poder do desapego, melhor desempenho terá e melhores resultados em sua carreira profissional poderá atingir.

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Por Roberto Wik é diretor de Indústria e Varejo da Cognizant para a América Latina

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