Reforma Tributária
Os impactos do Split Payment com a Reforma Tributária
O período de transição tributária exigirá dos gestores um olhar atento e estratégico sobre o planejamento do caixa

O novo sistema de pagamento automático de impostos sobre o consumo à União, estados e municípios, batizado de split payment pela reforma tributária, promete reduzir a sonegação e a inadimplência fiscal. No entanto, essa inovação tecnológica traz novos desafios para os empreendedores, principalmente os de pequenos negócios.
Inspirado em modelos internacionais, o split payment, em inglês, significa pagamento dividido, uma referência a uma divisão automática de impostos no momento de compra e venda.
O mercado brasileiro verá uma grande mudança em sua gestão financeira com a chegada do split payment, mecanismo central da reforma tributária sobre o consumo. Essa novidade não gera novos custos tributários, mas mexe diretamente no prazo de recolhimento dos impostos, fazendo com que o dinheiro correspondente aos tributos deixe o caixa das empresas de forma mais rápida.
À medida que o novo modelo entra em vigor por etapas — trazendo o IBS e a CBS —, profissionais de contabilidade, finanças e empreendedores precisarão reajustar suas estratégias de liquidez e capital de giro para se adequar à nova realidade.
Como funcionará o split payment
A regulamentação da reforma tributária, sancionada na Lei Complementar 214 de 2025, definiu duas modalidades para operacionalizar a ferramenta. Um modelo padrão (inteligente) e outro, simplificado.
No primeiro, detalhou-se um sistema tecnológico para vincular documentos fiscais às operações e calcular tributos de forma automatizada. O valor do imposto será separado na hora do pagamento da compra, assim como o valor destinado a quem forneceu o bem ou serviço.
Esse mesmo sistema, de forma automática, deverá verificar se a empresa tem créditos guardados. Se for o caso, os débitos de impostos devidos serão descontados desse valor e o saldo final será repassado à União por meio do fisco. Já o repasse para os estados e os municípios será feito por meio do Comitê Gestor, que também será criado para administrar o novo sistema tributário.
Já o modelo simplificado será disponibilizado para operações em que o adquirente não é contribuinte regular do IBS e da CBS. Os tributos serão calculados com base em um percentual preestabelecido do valor da transação, independentemente das alíquotas efetivamente aplicáveis.
O formato, segundo os deputados e senadores, foi elaborado para as empresas que vendem produtos de diferentes alíquotas, como no setor de varejo.
O Comitê e a Receita terão que apurar se o valor pago pela empresa é correspondente com as transações efetuadas dentro de um mês. Caso o governo tenha que devolver o valor pago a mais pela empresa, isso deverá ser feito em até três dias. Do contrário, a empresa terá um mês para complementar o pagamento.
A previsão é que as devoluções ou pagamentos complementares ocorram pelo mesmo sistema online, que será criado.
Leia também:
- Benefício de R$ 300 por mês abre novo lote de cadastro para mães elegíveis
- Os impactos do Split Payment com a Reforma Tributária
- Permanece aberto prazo para aderir ao parcelamento do PEM 2025
- Receita define regras para imposto sobre venda condicional de empresas
- Evite multas: veja as regras e novidades da Declaração do ITR 2026
Quem deve sentir mais o impacto?
O impacto será mais forte onde o fôlego financeiro já é curto ou o ciclo de conversão de caixa é demorado. Isso acende um alerta principalmente para indústrias, distribuidoras, o setor da construção civil e fabricantes de bens de capital, além de empresas de serviços B2B e o varejo tradicional de margens apertadas.
Nesses cenários, a redução do dinheiro disponível em caixa vai obrigar os gestores a redesenharem suas estratégias financeiras bem rápido.
Para não ser pego de surpresa, especialistas orientam que as empresas comecem a se planejar desde já. O plano de ação envolve atualizar o fluxo de caixa olhando para o biênio 2027-2028 e recalcular a demanda por capital de giro.
Além disso, os gestores precisam analisar a cadeia de fornecedores para mitigar riscos com créditos tributários, unificar as ferramentas financeiras, contábeis e fiscais, e automatizar ao máximo as rotinas de conciliação.
Qual a relação entre a reforma tributária e o Split Payment?
A Reforma Tributária traz mudanças que tornam a transparência fiscal mais crucial para as empresas. Essa mudança impacta diretamente o uso do Split Payment.
O sistema se adapta perfeitamente às exigências da nova legislação, especialmente com a implementação de mecanismos de rastreamento e alocação correta de tributos. A seguir, veja as vantagens do Split Payment diante da reforma tributária.
- Automação do recolhimento de impostos: distribui os valores automaticamente entre o vendedor e o governo, o que facilita o pagamento de tributos como o IVA (Imposto sobre Valor Agregado) ou outros impostos locais;
- Redução de erros: diminui o risco de cálculos inadequados e evita penalizações por inadimplência fiscal;
- Ajuste às novas regras: garante a conformidade com as exigências legais e promove a transparência nas operações financeiras;
- Eficiência administrativa: libera recursos que a empresa usaria no controle fiscal manual.
Negócios que adotam tecnologias como o Split Payment conseguem se posicionar melhor no mercado e mitigar riscos relacionados à fiscalização e se ajustam rapidamente ao novo cenário.
Em resumo, o split payment surge como um elemento chave na Reforma Tributária, com o potencial de transformar o sistema tributário brasileiro em um modelo mais eficiente, transparente e justo.
CLT4 dias agoNovas regras do crédito consignado CLT entram em vigor
Contabilidade3 dias agoJustiça suspende aumento de imposto para empresas do Lucro Presumido
Imposto de Renda4 dias agoReceita abre consulta ao 1º lote da restituição automática do IR; veja quem recebe
Reforma Tributária3 dias agoReforma Tributária e notas fiscais: mudanças a partir de agosto
CLT4 dias agoCalendário do PIS/Pasep 2026 está definido. Veja quando cai o abono
MEI2 dias agoGoverno libera R$ 2 bilhões em garantias de crédito para MEIs e caminhoneiros comprarem veículos
MEI4 dias agoDesenrola MEI começa nesta segunda com desconto de até 70%
Fique Sabendo4 dias agoAtivo de Luxo: Quanto realmente vale a Taça da Copa do Mundo de 2026?



























Receba nossas notícias pelo WhatsApp em primeira mão.