Imagem por @ArtHome55 / freepik
A burocracia e a constante mudança de regras estão dificultando a vida dos empresários que tentam exportar para fugir da crise no Brasil.
Entre as máquinas de costura, Malu se sente em casa. Há 40 anos ela cria e produz roupas de tricô para grandes marcas brasileiras. Agora está de olho nas estrangeiras. A primeira remessa de biquinis deve ir para a Austrália, assim que ela desvendar o mundo das exportações. Há dois meses, ela tenta entender como funiona a papelada.
Desde a classificação fiscal, a natureza da operação que tem que ser a certa e o valor, você tem tirar nota fiscal em reais e a invoice é em dólar. Isso tem que casar pela cotação do dia. Então são dúvidas que vão surgindo na hora e que você fala Meu Deus, qual que é o certo? Qual que não é o certo?’, diz a empresária Malu Rocha.
Quem pensa em exportar precisa ter fôlego porque o caminho é longo e cheio de etapas:
Primeiro, a empresa tem que se habilitar no sistema de rastreamento da Receita Federal, o Siscomex. Aí ela vai ter que negociar com o comprador e fazer uma espécie de pré-contrato para amarrar a transação. Fechou negócio? É preciso acertar os detalhes do câmbio e levar uma série de documentos ao banco para depois conseguir receber pela venda.
Também é preciso correr com o registro de exportação, nota fiscal e fatura internacional fora outros cinco documentos exigidos por alguns países como certificados e origem e qualidade. E a empresa só consegue despachar as mercadorias depois que a Receita checar toda a papelada, no teminal de embarque. O processo todo leva 15 dias, em média. Isso se o exportador tiver bom despachante ou um departamento especializado em comércio exterior.
Se não bastassem todas essas etapas, as regras ainda mudam o tempo todo. Um levantamento mostrou que 70% das empresas não conseguem perceber isso.
Sem dúvida quando a gente fala a cada dia nós temos quatro mudanças que podem afetar o comércio exterior é algo impactante que com certeza as empresas não vão conseguir seguir tudo que deveriam sem uma estrutura muito grande para isso, diz Menotti Franceschini, diretor de negócios e comércio exterior da Thomson Reuters.
Para capitalizar quando a oportunidade aparece uma montadora de caminhões e ônibus, presente em mais de 100 países, tem esse departamento, com 280 pessoas, criado pra destrichar os trâmites e agilizar o embarque das mercadorias.
Essa estrutura ajudou quando a empresa resolveu aproveitar a desvalorização do real e ampliou rapidamente as exportações de quinze para setenta por cento da produção.
Eu acho que é um excesso e isso faz com que a gente tenha que ter ruma estrutura de pessoas preparando, lendo, entendendo essas mudanças, analisando os impactos que essas mudanças trazem pro seu negócio, tudo isso acaba aumentando o nosso custo, diz Fábio Castelo, vice-presidente de logística da Scania.
Regras mais simples e claras, é tudo o que querem as 23,5 mil empresas brasileiras exportadoras para ocupar mais espaço no mercado global.
Jornal da Globo
Fonte: Portal Contábil SC
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