Por muito tempo, a forma como a contabilidade de empresas e da administração pública foi descentralizada. Na última década, entretanto, passou a haver um esforço coletivo por parte de órgãos diversos para regulamentar formas de divulgar informações com transparência e assertividade.
Daí, surgiu o padrão contábil internacional ou International Financial Reporting Standards (IFRS). Para aproveitar as oportunidades trazidas por esse padrão, entretanto, é preciso entender suas regras e como fazer a convergência.
Dúvidas a respeito? Veja a seguir o que você precisa conhecer sobre o assunto:
Padrão contábil corresponde a um conjunto de regras, técnicas e padrões que orientam como a contabilidade deve ser feita e apresentada. Trata-se de um padrão internacional que vem sendo desenvolvido e adotado por diferentes segmentos a fim de padronizar a divulgação de informações.
O principal responsável por regulamentar as práticas contábeis é o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), que vem lançando orientações de como as administrações podem se adaptar à nova realidade.
A partir de 2017, é fundamental que municípios, unidades federativas e União adotem essa prática para a conversão da padronização. Isso promete trazer mais segurança e mais facilidade na compreensão de dados ao criar uma comunicação mais assertiva.
Mais do que isso, um dos objetivos principais é a transparência. Com a adoção de práticas internacionalmente definidas, é mais fácil apresentar os resultados com clareza, o que permite melhor apuração de contas de uma maneira geral.
Ao mesmo tempo, a adoção desse padrão também poderá ser feita por empresas, unificando esforços e melhorando a divulgação de resultados.
Embora a convergência para o padrão contábil deva acontecer a partir de 2017, a verdade é que cada regra possui sua própria tabela com prazos. Além disso, os prazos variam entre União e estados e estados e municípios. A mesma norma a ser aplicada pela União até 2019, por exemplo, tem prazo de até 2022 para municípios com até 50 mil habitantes.
Porém, algumas regras já estão valendo e exigem atenção para que sejam cumpridas adequadamente.
Por exemplo: quanto à arrecadação, uma das normas ativas obriga a realização do reconhecimento de créditos que sejam oriundos das receitas tributárias dos contribuintes.
A grande mudança é que o registro antes só acontecia quando havia o pagamento, o que poderia aumentar as chances de sonegação ou conciliação incorreta de dados. Por outro lado, agora o registro acontece assim que a operação é realizada.
Porém, para municípios com até 50 mil habitantes, essa norma só precisa ser plenamente consolidada em 2020.
Também haverá mudanças quanto à contabilização patrimonial e a apresentação desses dados. Atualmente, eles estão descentralizados em diversas declarações e entidades.
Com a adoção do padrão contábil, o esperado é que haja uma centralização mais efetiva desses dados, permitindo uma apresentação que acontece ano a ano e com mais visibilidade.
Para a administração pública, isso vai significar mais transparência na apresentação de inventários e mais convergência de dados. De um modo geral, vai ficar mais fácil para as diferentes esferas controlarem e terem seus resultados controlados e auditados.
Uma das principais razões para realizar a convergência é, naturalmente, o fato de ela vir se tornando uma obrigação legal. Com a lei nº 11.638/07, por exemplo, houve uma aceleração na adoção dessas práticas.
Com isso, adotar a convergência da maneira adequada é importante para garantir a regularidade do órgão de administração ou mesmo da empresa.
Além disso, ela oferece mais segurança por meio da transparência, o que é especialmente útil para atrair investidores de diferentes origens. Graças à apresentação de dados mais adequada, é possível que os investidores realizem uma análise mais assertiva.
Além disso, a comparabilidade de dados equivalentes fica mais fácil porque, ao usar um padrão, a visualização melhora.
Depois que as normas estiverem consolidadas na realidade das administrações, a tendência é que toda a gestão contábil se torne mais simples por se tornar sistematizada.
A convergência a padrão contábil deve começar com uma avaliação por parte da empresa ou da administração a respeito de qual é a sua situação atual em relação às normas estabelecidas.
É possível que alguns processos estejam mais próximos da padronização do que outros, então isso deve ser levado em conta.
A seguir, é preciso estabelecer um plano de ação para fazer a convergência. No caso de empresas, que não são obrigadas a fazê-la, é necessário avaliar o custo-benefício envolvido. Quanto ao plano, é necessário priorizar normas com prazo mais curto e também aquelas que são mais importantes para o negócio.
Tendo em vista o prazo de implementação, é necessário planejar e desenvolver ações que ajudem na construção do resultado. No caso de se adaptar às regras de contabilização patrimonial, por exemplo, o plano de ação deve incluir a progressiva centralização dos dados, que devem ser revistos periodicamente.
Para que isso não cause efeitos negativos no negócio é fundamental que também sejam avaliados quais são os impactos dessa convergência para o negócio. Em alguns casos, será preciso mudar a forma de adquirir dados, assim como treinar funcionários e mudar a forma de gerenciamento.
Conforme as ações forem sendo colocadas em prática vale a pena fazer uma auditoria interna de modo a identificar quais são as discrepâncias entre as normas internacionais e o que está sendo feito.
A partir da identificação desses pontos é possível planejar otimizações e correções de modo a gerar a consolidação da convergência.
As regras para convergência a padrão contábil, como os prazos, variam de acordo com o nível da administração pública e, de certo modo, com o tamanho da unidade a ser administrada.
Ao entender mais sobre o que é necessário mudar e quando tudo deve ser feito, fica mais fácil desenvolver um planejamento para colocar em prática a conversão para esse padrão. Ao final, espera-se que a administração e as empresas se beneficiem de uma contabilidade mais transparente e assertiva.
Via Valid Certificadora
Como a parceria com a contabilidade protege o caixa e orienta as decisões de expansão…
Esta obrigação acessória tem seu prazo de envio até o dia 31 de julho
Como a nova padronização de campos exige uma ponte rápida entre escritórios contábeis, transportadoras e…
Resolução do Conselho de Recursos da Previdência Social detalha exigências específicas para cada categoria de…
Prazo de adesão ao programa da PGFN vai até 30/09. Contudo é preciso cautela com…
Proposta que unifica regras trabalhistas para jovens e pessoas com deficiência deve retornar à pauta…