No meio da discussão sobre novas tecnologias, desafios e oportunidades para empresários, qual é a aplicabilidade e acessibilidade deste novo mundo para empresas pequenas e médias? Uma visão cartesiana impõe uma limitação inicial a este mercado, que possui orçamentos menores para investimentos em projetos de inovação. Menor receita, menor orçamento. Mas isso está no rol de necessidades reais e de forma consciente? A transformação digital é para todos ou para quem tem acesso ao capital em larga escala?
Consideremos os modelos de receita exponencial de startups e empresas calcadas em tecnologia, com acesso ao cliente universal e quase ilimitado, em que os recursos para provimento do serviço estão sob domínio do próprio mercado e são compostos de informação sobre desejos e necessidades desse mesmo cliente. Propositadamente, uso o exemplo mais conhecido: os aplicativos de transporte. São empresas que surgiram de empreendedores e acabam se tornando unicórnios. Qualquer pequeno empresário deseja tornar sua empresa grandiosa.
O número de empresas com estas características ainda é reduzido por algumas razões: mercado inadequadamente explorado e clientes com necessidades a serem satisfeitas; pouquíssimas empresas com potencial de sucesso em escala exponencial, por (falta de) velocidade para entrar no mercado ou por investimentos já realizados.
O mercado empreendedor brasileiro é rico em atividades industriais com grande capital investido. Como permitir que as empresas sobrevivam às transformações? Quais são as opções de uma pequena e média empresa (PME) para crescer? Será que uma grande empresa não tem mais riscos e mais a perder ao fazer movimentos maiores de mudança? Em outras palavras, mover um transatlântico é muito mais difícil do que uma PME.
Em interações com o mercado, vemos que o maior desafio é conhecimento. Tanto do empresário, para entender como este novo mundo funciona, quanto na ausência de mão de obra qualificada. A velocidade é muito importante e precisa ser desenvolvida a partir de fatores de capacitação. Em primeiro lugar, o modelo mental adequado. Baseados em nossa pesquisa “Retratos de Família”, as empresas de menor porte, familiares, oferecem menos atrativos para aquisição e retenção de talentos.
Em segundo lugar, está o investimento em novas competências e aquisição de perfis de talentos rejuvenescidos. As novas competências devem se pautar por buscar real conhecimento das necessidades do mercado-alvo da empresa e como este mercado poderá ser melhor atendido, ampliado e fidelizado.
O empreendedor precisa cuidar da agenda de pessoas, atraindo gente adequada. O foco em atrair pessoas corretas é remédio para vários desafios, inclusive a possível ignorância sobre toda esta transformação que poderá impactar suas receitas de forma implacável.
*Fernando Aguirre é sócio de Mercados Regionais da KPMG no Brasil.
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