Negócios
M&A: 3 aspectos que fomentam a desaceleração nesse mercado

O mercado de Fusões e Aquisições (M&A) começou 2020 em um clima otimista, no entanto, a pandemia causada pela COVID-19 gerou uma considerável desaceleração.
De acordo com a plataforma Transactional Track Record, o número de transações caiu em 25% no primeiro semestre de 2020, no comparativo com o mesmo período no ano passado.
Para a advogada Sheila Shimada, da Shimada Advocacia e Consultoria, o país enfrenta um acesso reduzido ao mercado de capitais e um maior escrutínio na definição de termos contratuais como as cláusulas MAC (material adverse change), muito usadas em períodos de instabilidade para a diminuição de riscos materiais.
“As cláusulas de material adverso buscam viabilizar que tanto comprador como a target possam desistir do negócio, caso algumas das partes venha a sofrer redução em seus ativos tangíveis ou intangíveis, condições, operações, resultados financeiros ou até mesmo nas expectativas elencadas nas propostas, decorrentes de ocorrências como uma pandemia”, esclarece Sheila Shimada.
Ainda segundo a especialista, a pandemia trouxe maior complexidade às cláusulas em fusões e aquisições (M&A) pois os acordos acabaram se tornando muito frágeis em função do cenário econômico e social repleto de incertezas. Veja a seguir 3 aspectos que fomentam a desaceleração nesse mercado:
1 – Queda em negociações globais
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) alertou que a epidemia poderia reduzir pela metade o crescimento global, o que representa um potencial de produção reduzido que reflete em uma crise financeira global.

Números recentes mostram que as fusões e aquisições com alvos na China haviam caído pela metade, na comparação ano a ano, nos primeiros meses de 2020, enquanto as exportações chinesas caíram 85% – para o nível mais baixo desde 2004.
2 – Impossibilidade de realizar Due Diligence presencialmente
Com a imposição do distanciamento social, a paralisação dos voos e o fechamento de algumas fronteiras, houve a impossibilidade de investidores, auditores e profissionais chave de inspecionar as empresas alvo presencialmente.
Isso inviabilizou a conclusão de um processo importantíssimo da operação: a due diligence, que serve para constatar a veracidade das informações prestadas nos documentos e garantias
3 – Risco de contaminação dos profissionais chave para o sucesso de operações a médio prazo
As medidas governamentais para conter o crescimento da pandemia são definidas e reajustadas periodicamente, sendo que a possibilidade de um lockdown ainda não foi totalmente eliminada em virtude do inverno corrente.
Há também a especulação de uma segunda onda de contaminação, mesmo que a curva de crescimento da pandemia venha a reduzir.
Com isso, profissionais chave em negociações de fusões e aquisições ainda podem ser contaminados, colocando o futuro de negócios em risco.
Por Shimada Advocacia e Consultoria, escritório de advocacia exclusivo e inovador, especialista em direito empresarial, com foco no direito societário.
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