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Mercado se enfurece com o governo Bolsonaro

É didática a reação do mercado ao drible do governo no teto de gastos para conseguir bancar o Auxílio Brasil de R$ 400, em medida encomendada pelo presidente Jair Bolsonaro e avalizada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.
Desde que o presidente bateu o pé no valor acima do recomendado pelos técnicos do governo, que trabalhavam com um valor de R$ 300 para o novo benefício, os investidores institucionais reduziram fortemente suas posições no mercado de capitais.
A teimosia de Bolsonaro gerou os pedidos de demissão de Bruno Funchal (secretário especial do Tesouro e Orçamento) e de Jeferson Bittencourt (secretário do Tesouro) da equipe econômica. E em busca de proteção, o dinheiro do mercado minguou e a especulação explodiu.
Como resultado, em 72 horas as principais empresas na B3 perderam R$ 284,4 bilhões em valor de mercado.
O segmento ligado a combustíveis fósseis lidera as perdas, com R$ 40,3 bilhões, sendo que somente a Petrobrás impactou com R$ 24 bilhões a menos. O ranking tem os bancos em segundo lugar, com queda de R$ 32 bilhões.
Empresas como Vale, Magazine Luiza , Rede D’Or, Ambev e Eletrobrás perderam, respectivamente, R$ 23 bilhões, R$ 12,3 bilhões, R$ 8 bilhões, R$ 7,5 bilhões e R$ 6,8 bilhões nesta semana, de terça a quinta-feira. Os números foram compilados para a Retorno Semanal por Einar Rivera, da consultoria Economatica.
Sinal é claro. O que se vê no mercado deveria ser encarado por Bolsonaro como um alerta aos riscos de encampar uma política de gastos desenfreados em busca de reeleição.
Como disse o relator da medida provisória que cria o Auxílio Brasil, deputado Marcelo Aro (PP-MG), homem da base de sustentação do governo na Câmara, conceder um valor de R$ 400 neste momento é o mesmo que emprestar agora aos pobres para tirar lá na frente, depois das eleições.
Alguns agentes do mercado discordam do deputado e dizem que, nessas proporções, o valor do benefício é o mesmo que emprestar agora para tirar agora mesmo.
Sócio-sênior do BTG Pactual, André Esteves alertou em evento do Lide nesta manhã que o caminho trilhado pelo governo não tem como acabar bem. Segundo ele, o Brasil está passando neste momento por uma fase de perda de credibilidade motivada pelo que chama de “fraqueza institucional”.
“A semana foi marcada por uma derrapada e é um erro flexibilizar a norma (do teto de gastos)”, disse, de forma alta e clara, o banqueiro.
Selic. Isso tudo coloca ainda mais lenha na fogueira para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), na quarta-feira da semana que vem, 27.
O Bradesco e a SulAmérica Investimentos elevaram nesta manhã a projeção de alta da Selic de 1 ponto porcentual para 1,25 ponto, a 7,5%. De acordo com as instituições, o debate fiscal da semana é o principal responsável pela aceleração do ritmo de aperto monetário.
A gestora WHG, dona de um fundo macro que está cada vez mais atenta ao mercado internacional e desinteressada com o Brasil (leia abaixo mais sobre isso), acaba de fazer uma simulação de qual seria o nível ideal do Ibovespa considerando o atual cenário de juros atual. No atual nível da curva, inclinada a 12% ao ano, no longo prazo, o Ibovespa teria de ir a 102 mil pontos.
Curiosamente, o índice Bovespa às 11h58 de hoje cedia 3,57%, aos 103.884 ponto, ante mínima de 103.192 pontos do dia…
Fundos macro olham para o exterior.
Por falar em gestoras macro, as assets que operam fundos de multimercado que aplicam em inflação, moedas e taxas de juros estão cada vez mais atentas ao exterior. E menos animadas com o Brasil.
A percepção de que a economia brasileira deve apresentar um desempenho mais fraco, com a retração do IBC-Br de agosto, e de que o eixo do crescimento econômico global se desloca para os países da Ásia está levando os gestores de fundos macro a rever a alocação de ativos, e a olhar cada vez mais as oportunidades em mercados do outro lado do mundo.
Pela sua condição de segunda maior economia do mundo e em contínua expansão, ainda que agora em ritmo mais lento, a China é um dos principais polos de atração, ao lado dos Estados Unidos.
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