Ministério do Trabalho reconhece oficialmente motoristas / Imagem canva
Em um movimento que reflete as profundas transformações tecnológicas no mercado de trabalho brasileiro, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) anunciou a atualização da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO).
O destaque da revisão é a inclusão formal da atividade de motorista de transporte por aplicativos, consolidando o reconhecimento estatal de uma categoria que se tornou pilar da economia de plataforma e da mobilidade urbana no país.
A atualização não se limita ao transporte. O MTE incorporou outras cinco atividades que ganharam relevância nas últimas décadas: produtor de arte audiovisual, artista visual de jogos eletrônicos, designer de jogos eletrônicos, designer de narrativa de jogos eletrônicos e mestre das culturas populares e tradicionais.
A diversidade dessas novas ocupações demonstra um olhar atento do governo tanto para o setor de alta tecnologia e entretenimento digital quanto para a preservação e valorização dos saberes ancestrais brasileiros.
No caso dos motoristas de aplicativo, a CBO define a atividade como uma nova forma de intermediação entre prestadores de serviço e usuários.
O texto abrange não apenas o transporte individual de passageiros, mas também a entrega de produtos em áreas urbanas, reconhecendo o papel dos algoritmos na organização de corridas, pedidos e pagamentos.
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De acordo com Paula Montagner, subsecretária de Estudos do Trabalho do MTE, a atualização é uma ferramenta de visibilidade e não deve ser confundida com a regulamentação de uma profissão.
Enquanto uma profissão exige lei específica aprovada pelo Congresso Nacional e sanção presidencial para estabelecer direitos e deveres específicos, a ocupação na CBO serve para retratar a realidade socioprofissional do mercado.
A inclusão, apresentada durante reunião do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat), possui caráter estatístico e administrativo.
Na prática, isso permite que esses trabalhadores sejam devidamente registrados em sistemas como o eSocial e na Carteira de Trabalho, oferecendo dados mais precisos para que o governo possa formular políticas públicas de emprego e seguridade social.
A CBO, criada em 2002, vive se atualizando para não ficar para trás. Sempre que o mercado muda, sindicatos e associações recorrem ao Ministério do Trabalho pedindo espaço.
A partir daí, uma equipe técnica vai analisar se aquela atividade realmente virou uma “família” de trabalhadores e o que mudou no dia a dia, desde as ferramentas usadas até os nomes que a galera usa nas ruas.
Essa atualização é o jeito que o governo encontrou de diminuir a distância entre o que diz a lei e o que acontece na vida real. Ao criar um código oficial para motoristas de aplicativo ou designers de games, o Ministério do Trabalho tira essas pessoas da “invisibilidade”.
Agora, eles deixam de ser apenas um número genérico e passam a existir oficialmente nas estatísticas.
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