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Mitos e verdades sobre o perfil do MEI

A possibilidade de formalizar-se e de conquistar a tão sonhada cidadania empresarial fez do cadastro como Microempreendedor Individual (MEI) a realidade de muitos trabalhadores informais. Desde sua criação, em 2009, autônomos, profissionais liberais e empreendedores de pequenos negócios, que trabalhavam por conta própria, conquistaram o direito de atuarem dentro da legalidade.
Porém ainda existem muitos mitos e verdades sobre o perfil do MEI, até mesmo por ser algo relativamente novo no mercado. Mas dados de uma pesquisa realizada em 2016 e divulgada em 2017 pelo Sebrae Nacional sobre o perfil do MEI já ajudam a comprovar sua importância: de julho de 2009 a dezembro de 2016 o número de inscritos no MEI ultrapassou os 6,6 milhões.
Precisamos acompanhar a evolução do MEI – Microempreendedor Individual, não somente no seu crescimento quantitativo (94% de 2013 a 2016), como nos atentar também para a mudança de perfil deste empreendedor e colocar em discussão apontamentos como:
MEI não tem escolaridade
MEI não é digital
MEI não tem ponto comercial
Conforme a pesquisa realizada pelo Sebrae, uma das razões para a mudança no perfil do MEI se deu em função do aumento da sua escolaridade. Percebe-se que a maioria tem nível médio ou técnico completo ou mais (68%).
A participação do nível intermediário de escolaridade (ensino médio ou técnico completo), caiu de 47% para 34%, assim como dos níveis baixos de escolaridade que foram de 36% para 33%. Em compensação, a proporção de MEI com ensino superior incompleto ou mais saltou de 17% para 32%, representando um aumento de 88%. Apenas 1% são analfabetos/ou sem instrução formal.
A pesquisa derruba justamente o mito de que o Microempreendedor Individual não tem escolaridade e tem dificuldade de acesso à recursos digitais.

MEI em números
- Em dezembro de 2016, havia 22 milhões de trabalhadores por conta própria no Brasil; no mesmo mês, o MEI registrava 6,6 milhões de negócios. Dividindo-se o número de MEI pelo de conta própria, chega-se a um indicador de “grau de cobertura” do MEI.
De março de 2012 (primeiro mês disponível com dados da PNAD Contínua) a dezembro de 2016, o “grau de cobertura” do MEI foi de 9,5% para 30,1%. Ou seja, em 4 anos, o nível de formalização triplicou.
As regiões mais populosas são as que mais contribuem com o número de MEI: Sudeste (51,6%); Nordeste (19,1%); Sul (15,2%); Centro-Oeste (8,7%) e Norte (5,4%).
Do total de MEI registrados no Brasil, 52,4% são do sexo masculino e 47,6% do sexo feminino, sendo que o percentual de mulheres apresentou um leve aumento de 2010 a 2014, mas seguiu estagnado em 47% em 2016.
Setores e atividades
Os setores com maior número de microempreendedores individuais é o de comércio (37,4%), seguido de serviços (37,2%), indústria (15,3%), construção civil (9,5%) e agropecuária (0,6%). Entre as atividades mais frequentes estão o comércio varejista de vestuário e acessórios (9,8%), cabeleireiros e tratamentos de beleza (7,3%), obras de alvenaria (4,1%) e estabelecimentos de serviços de alimentação e bebidas (2,8%).
Com relação à classe socioeconômica, mediante a classificação da Secretaria de Assuntos Estratégicos – SAE, observa-se uma concentração maior classes médias e altas, com 88,8% do total. Mais detalhadamente: 5% são da “alta classe alta”, 25% da “baixa classe alta”, 27% da “alta classe média”, 17% da “média classe média”, 15% da “baixa classe média”, 9% da “vulnerável”, 2% “pobre, mas não extremamente pobre” e cerca de 0,1% “extremamente pobre”.
Já quanto ao local de atuação, 45% atuam na própria residência, 30% em estabelecimento comercial, 15% na rua, 9% na casa ou empresa do cliente e 1% em shoppings ou feiras populares. Destaca-se que destes, a maior parte (75%), trabalham em local fixo, seja em casa ou estabelecimento comercial.
MEI com necessidades especiais
Este é um público que não pode ser negligenciado. Segundo informações da Folha (julho de 2017), o Paraná é o estado com mais alunos em escolas especializadas e estudos regulares, desenvolvendo habilidades sociais, com currículo profissionalizante para a independência e autonomia no dia-a-dia. São jovens na faixa dos 17 anos que entrarão no mercado de trabalho formal ou buscarão na formalização a opção de empreender e que precisarão de orientação adequada.
Comportamento empreendedor
O MEI tem sido evidenciado em vários estudos, entre eles a pesquisa realizada pela Serasa Experian, também em 2017, que identificou padrões de comportamento desses empreendedores, classificando-os em 04 grandes grupos:
“- Arrojado: trata-se de um empreendedor “nato”, que vive de olho nas tendências do mercado e as segue, assumindo mais riscos. As frustrações, acumuladas em parte pelo seu jeito destemido de agir, o tornam melhor preparado ao longo do tempo. O sucesso financeiro é sua motivação e, para alcançá-lo, sempre trabalha com um plano B. O objetivo do MEI Arrojado é ser um grande empresário de sucesso.
- Realizador: é um empreendedor de uma ideia, da qual tem muito orgulho. Seu negócio é estruturado e dotado de visão, é fruto de pesquisa e dedicação. Para ter segurança no que faz, investe em cursos e pesquisa. A motivação do Realizador é buscar diferenciais para o negócio, que lhe traz grande realização pessoal. O objetivo deste tipo de MEI é crescer de forma estruturada e sustentável.
Malabarista: para este arquétipo, empreender não era um plano, mas aconteceu. Ele não se preparou muito para o negócio e o dia a dia é a sua verdadeira escola. É com muito otimismo que o MEI Malabarista contorna as dificuldades. Para esses empreendedores, a motivação reside na qualidade da entrega do serviço/produto. Para atender bem, sacrifica seu tempo e até mesmo relaxa nas outras atividades. O desafio é terminar o mês no azul e começar o outro um pouco melhor.
Tranquilo: Ele é um autônomo que tornou-se MEI para legalizar sua atividade, garantir benefícios e atender as exigências das empresas pelas quais presta serviços. Esse indivíduo até pensa em estruturar o negócio, mas não tem pressa e nem motivações para isso. Seu único objetivo é manter seus clientes e garantir a renda mensal.”
Fonte: PESQUISA Serasa Experian ABRIL/2017.

Em comum, todos esses empreendedores relatam um sentimento de felicidade e realização ao colocarem seus projetos em prática. Porém, em termos de organização do negócio, a pesquisa ainda aponta um grau de amadorismo técnico quanto à gestão, como por exemplo no controle de entradas e saídas de caixa, automatização de processos.
Já na pesquisa do Sebrae, os empreendedores apontaram como principal dificuldade conquistar clientes e ter acesso ao crédito. Tudo isso mostra mais uma vez a necessidade de apoio técnico, levando a eles soluções para o desenvolvimento e crescimento do negócio. Tanto que, ao serem questionados sobre a necessidade de capacitação, 53% mencionou controle financeiro, 52% orientação para crédito, 47% na área de propaganda e marketing e 46% para melhoria de qualidade de produto ou serviço.
Se você é MEI Microempreendedor Individual, o mercado está cheio de oportunidades e possibilidades para sua empresa.
Via Clube Sebrae
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