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O uso recorrente da tecnologia das comunicações on-line deve acelerar o processo de seleção natural corporativa na educação.
Isso já aconteceu em outros setores como, por exemplo, na disputa entre o Uber e taxistas no transporte urbano e com o pioneirismo da Amazon no varejo, que incluiu a possibilidade de compras ao alcance de um clique em seu e-commerce.
Tais ações trouxeram uma relevante experiência virtual para os clientes e transformaram o ambiente competitivo dos seus respectivos mercados, possibilitando às companhias mais adaptadas a chave para conquistarem a preferência dos consumidores.
O isolamento social provocado pela pandemia da Covid-19 enfatizou aos usuários contumazes a importância da comunicação on-line, e trouxe aos leigos uma experiência inovadora que solucionaria o impedimento da troca presencial no trabalho e na educação formal.
Majoritariamente incipiente em suas resoluções técnicas e aplicações, o modelo educacional foi obrigado a fazer uso da internet e seu aparato tecnológico para prosseguir ministrando seus conteúdos.
A pandemia, portanto, obrigou o experimento massivo das aulas on-line em todos os níveis educacionais.
Em um curto espaço de tempo foi necessário superar limitações e resistências, tanto dos profissionais quanto de alunos.
É risível imaginar que a faculdade seja apenas um sistema de entrega de cursos que ocorre dentro de uma sala de aula.
Existem fontes de valores, como o convívio social e o senso de pertencimento a um determinado grupo, que ainda tornam a experiência presencial extremamente relevante.
Ainda assim, o ensino on-line se mostra eficiente e de baixo custo na democratização de conteúdo de qualidade, escancarando as diferenças entre os professores excelentes dos inabilitados.
O EAD, visto às vezes com certo desdém pelo ensino formal, tende a se qualificar, ganhar musculatura e impor-se como opção de enorme impacto quantitativo a preços acessíveis, além de fomentar a empregabilidade e renda, tão necessárias.
Sob a ótica de M&A, é possível, senão provável, que ocorra uma seleção natural acelerada entre as instituições de ensino à distância e que poucas empresas de grande escala e conteúdo de qualidade sobrevivam, já que a busca pelas melhores vai ser efetiva.
Deve-se considerar, também, que faculdades presenciais poderão oferecer um ensino híbrido, capaz de apresentar convenientemente o tema da matéria de maneira on-line, muitas vezes produzido por um excelente professor não-titular, complementado pela aula presencial, aberta principalmente para a resolução de exercícios, debates e compartilhamento de ideias.
Aquelas instituições que não solucionarem a equação preço X qualidade, rapidamente terão dificuldades de percurso e sobrevivência.
Ironicamente, a pandemia se tornou um agente de aceleração de mudanças que podem trazer enormes benefícios para a educação brasileira. Essa é a minha torcida.
Por Guilherme Stuart é sócio da RGS Partners, uma das principais boutiques especializadas em fusões e aquisições de médias empresas do Brasil.
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