Economia

O que mudou nas relações Brasil-EUA após um mês de tarifaço

Por Marcello Carvalho, economista na WIT Invest

  • Quais foram os principais efeitos observados na economia brasileira após um mês do tarifaço comercial dos Estados Unidos? Quais são os setores mais afetados até agora?

Após um mês de tarifaço tivemos um impacto menor dado o que era esperado nos setores que geraram mais estresse no início da medida. Continuamos vendendo toneladas de carne para os EUA, porém a preços maiores. Entretanto, a situação seria totalmente diferente se não tivéssemos a lista de ativos que ficaram de fora do aumento de tarifas, como é o caso do suco de laranja. Ainda assim, setores como o de pedras não conseguiu achar alternativas e sofre com as tarifações, sem uma luz no fim do túnel da situação atual. Já nos EUA, o impacto das tarifas já pode ser sentido no cotidiano. 

  • Como essa medida afetou as relações diplomáticas entre Brasil e EUA?

A relação entre o Brasil e os EUA vem se deteriorando a cada dia que passa. Após o anúncio das tarifas, em vez de negociarmos, ambos os governos têm ido por linhas mais agressivas, recorrendo a cortes globais e olhando possíveis retaliações. A guerra comercial atual não irá gerar vantagens para nenhum país.

  • O tarifaço enfraqueceu a posição do Brasil em negociações internacionais?

O enfraquecimento é certo. Uma vez que o Brasil está em busca de novos mercados de forma mais agressiva após o tarifaço, e os demais países sabem disso, gera-se uma oportunidade para que se consiga condições menos oportunas para o Brasil.

  • Além do impacto direto no comércio, o tarifaço pode afetar cadeias produtivas internas (indústrias que dependem de insumos exportados para os EUA)?
⚠️ ACESSO EXCLUSIVO
Você está perdendo conteúdos exclusivos
Acesso sem anúncios + conteúdos especiais e privados.
R$4,90
Teste por 30 dias • depois R$9,90/mês
LIBERAR MEU ACESSO AGORA
✔ Cancelamento fácil • Sem compromisso

Caso não tenhamos uma reversão, a perda de empregos deve gerar um efeito cascata de redução do consumo. Como estamos em uma economia com juros elevados, o que reduz a atividade econômica, não devemos ter realocação de funcionários dos setores afetados de forma rápida, impactando no desemprego, pelo menos no curto prazo.

  • Já se observa movimento de empresas brasileiras redirecionando exportações para outros mercados?

Existe uma tentativa de formar novas parcerias econômicas das empresas com outros players globais, porém, essas parcerias não são facilmente organizadas. As negociações devem durar algumas semanas até termos resultados mais práticos e saber efetivamente se conseguiremos ter parceiros que façam jus a pelo menos parte da demanda estadunidenses. 

  • Como o tarifaço muda a percepção de risco do investidor estrangeiro em relação ao Brasil?

Apesar de prejudicar o curto prazo, não é a principal questão que o investidor institucional estrangeiro está observando. A economia brasileira ainda apresenta múltiplos de ações baratas para os patamares estrangeiros, e, conforme se chega mais próximo das eleições brasileiras, devemos ter mais posições sendo montadas buscando um horizonte de 2027.

  • Se o tarifaço persistir por mais de um ano, qual seria o impacto estrutural na economia brasileira?

Caso o tarifaço se prorrogue por muitos meses, a economia brasileira precisará encontrar outros compradores nos mesmos volumes e preços negociados pelos EUA, se não teremos uma perda grande de empregos em toda extensão do território brasileiro. Apesar de sermos uma economia considerada fechada, o motor rural depende das exportações para continuar se sustentando. Como o nível de alavancagem do setor está elevado e estamos tendo diversos problemas de não pagamento no segmento, o ramo agrícola não aguenta a perda de um de seus principais clientes no médio prazo.

Marcello Carvalho, economista na WIT Invest – Créditos: Divulgação

Sobre a WIT – Wealth, Investments & Trust

A WIT – Wealth, Investments & Trust – é assessoria, planejamento e execução para cuidar do patrimônio de pessoas, grupos familiares e empresas, de forma integral e sincronizada, apoiada por uma sofisticada estrutura de especialistas e de empresas que atuam de forma independente, porém complementar. O multi family office atua nas áreas de assessoria de investimentos; fundos exclusivos; câmbio e remessas internacionais; serviços financeiros (principais linhas de crédito) e emissão de dívidas em mercado de capitais; seguros e benefícios; ativos imobiliários e consultoria patrimonial. Atualmente, a empresa está presente em nas capitais de São Paulo e Paraná, em Curitiba, e em cidades do interior paulista: Campinas, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto, São João da Boa Vista, Araçatuba, Votuporanga, Jundiaí e Itu.

Site: https://www.wit.com.br/

Redes Sociais: wit.wealth

Mariana Freitas

Há 2 anos faz parte da equipe de Redação e Marketing do Jornal Contábil, colaborando com a criação de conteúdo, estratégias de engajamento e apoio no fortalecimento da presença digital do portal.

Postagens recentes

Comitê da NFS-e prorroga prazo de adequação e publica novos ajustes no DANFSE

Contribuintes ganham prazo para se adaptarem às novas regras do documento fiscal eletrônico.

11 horas atrás

Banco Central abre nova rodada de saques de R$ 6,2 bilhões esquecidos

Governo alerta para golpes e reforça que consulta e resgaste são gratuitos e feitos apenas…

12 horas atrás

O Raio-X do Fisco: Quanto o Campeão da Copa do Mundo vai deixar em impostos?

Para além das medalhas e da icônica taça, o título da Copa do Mundo de…

12 horas atrás

Saiba como a taxa mensal do MEI garante certos benefícios do INSS

Com investimento baixo, microempreendedor individual tem acesso à rede de proteção social do governo.

13 horas atrás

Câmara cria política nacional para impulsionar negócios liderados por mulheres

Proposta “Mulheres em Movimento” prevê incentivo financeiro para começar do zero

15 horas atrás

Senado aprova aposentadoria com idade mínima para agentes de saúde

Mulheres poderão se aposentar aos 57 anos e homens aos 60 após 25 anos de…

17 horas atrás