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Em relação ao consumo diário, América Latina possui um dos níveis mais baixos do mundo de pagamentos eletrônicos.
Segundo especialistas, isto a converte em uma região extremadamente atrativa para introduzir novas tecnologias que impulsionem a redução do uso do dinheiro em papel para realizar transações.
Embora as tentativas e as políticas aplicadas até o momento não deram frutos imediatos, no cenário de distanciamento social atual, o Coronavírus está se convertendo no propulsor de novos hábitos de consumo e formas de pagamento, mesmo nas pessoas mais enraizadas ao uso do papel.
Por isso, um vírus poderia ser o motor jamais pensado para acelerar a transformação digital e ampliar a inclusão financeira da região.
O modus operandi dos consumidores latino-americanos envolve o uso de dinheiro vivo para as compras cotidianas de baixo valor e deixar os cartões de débito e crédito para as transações de maior valor porque eliminam o risco de levar grandes quantias de dinheiro no bolso, além disso o crédito possibilita o financiamento da compra.
Os consumidores preferem pagar com dinheiro em papel porque é uma forma prática, rápida e aceita em todas partes.
No nível cultural, o dinheiro em papel é difícil de destronar, porque é, de longe, a forma de pagamento favorita não só em Latino América, se não no mundo inteiro: em Alemanha, Itália e Japão 90% do total das transações continua sendo realizada com “cash”.
Antes da propagação global do Coronavírus existia só três países onde os meios de pago eletrônicos superavam amplamente a forma de pagamento tradicional: Suécia, Coreia do Sul e China.
Este último país, por exemplo, implementou um modelo comercial de baixo uso do dinheiro em papel com fomento, pelo seu presidente, para o uso das moedas digitais, a fins do ano 2019, pediu a adoção acelerada de tecnologia blockchain. Isto poderia supor uma grave ameaça para o dólar dos Estados Unidos.
A situação de emergência pela que transitamos e que obrigou a maioria da população a permanecer em casa como única “vacina” conhecida até o momento para evitar nos contagiar e propagar o Coronavírus, oferece uma oportunidade para potenciar os meios eletrônicos de pagamento e desalentar consequentemente o uso de dinheiro em papel.
Graças aos desenvolvimentos que se deram no sistema financeiro nos últimos anos que representam um avanço constante das operações bancárias junto à situação de isolamento atual, hoje se observa um maior dinamismo nas transações sem contato: os pagos desta modalidade aumentaram um 35% na América Latina no meio da pandemia.
Brasil agora ocupa o terceiro lugar entre os mercados de transações digitais mais grande do mundo e tem uma alta capacidade móvel, de 83%.
Os canais remotos vêm crescendo tanto que 6 de cada 10 transações se realizam pelos meios digitais: telefone celular ou computador. O uso de smartphones para realizar operações bancárias já supera o uso do Internet Banking.
De acordo a um estudo realizado pela empresa Elo, as compras com cartão cresceram um 25% em mercados e diminuíram um 59% em restaurantes no meio do isolamento.
Em total, houve uma caída de 21% nas vendas realizadas com cartão de débito e de 36% nas realizadas com um cartão de crédito.
Porém a contrapartida foi o aumento dos pagos realizados por meio de links, contactless e mediante cartões virtuais.
Devido à vantagem digital que possui o país, se observa um crescimento de pagamentos on-line via links; aumento da quantidade de transações sem contato, com a tecnologia NFC (“near field communication”); e maior uso das carteiras digitais.
Um estudo da consultora Bain mostrou que 48% dos consumidores brasileiros estão dispostos a mudar a forma de pagar após a quarentena, usando mais cartões e celulares.
É assim que, por exemplo, os pagamentos realizados através do link Cielo aumentaram 200% e o uso do cartão virtual Nubank cresceu 31%: os maiores gastos se concentram nas categorias de streaming e delivery.
A regulação é um elemento significativo para o crescimento do dinheiro móvel e um dos pontos nos que se deveria avançar porque o marco regulatório para tecnologias financeiras e outras instituições de dinheiro eletrônico é muito recente no país, por isso é pouco desenvolvido e se encontra enquadrado em regulações mais gerais ligadas a sistemas de pagos.
É assim que ao avaliar a forma de responder ativamente aos novos desafios que impõe a economia digital:
● melhorar a logística para evitar a insatisfação dos consumidores
● garantir a biossegurança com fretes gratuitos
● aumentar a mão de obra essencial para evitar atrasos nas entregas
● oferecer produtos que satisfazem as necessidades da população diversificada
● aproveitar as vantagens regulatórias na questão de inclusão financeira
Sem deixar de lado complementos analógicos para reduzir os riscos e maximizar os
benefícios, a pandemia poderia aumentar o uso de meios de pago diferentes ao
dinheiro físico como hábito de consumo na sociedade.
Varejista tradicional no próximo ano devido a que os novos consumidores digitais experimentaram a modalidade e os já estabelecidos aumentaram seu uso durante a quarentena.
Como conclusão, graças aos avanços em questões financeiras e digitais que vem se desenvolvendo no Brasil há anos, segundo a analista Melisa Murialdo, da empresa de serviços financeiros omelhortrato.com, se a forma de responder ativamente aos novos desafios que impõe a economia digital é avaliada, sem deixar de lado complementos analógicos para diminuir os riscos e maximizar os benefícios, a pandemia poderia ser a que consolide o uso de meios de pagamento diferentes ao dinheiro em papel e o incorpore como um hábito de consumo na sociedade.
É assim que um vírus terminaria sendo o acelerador da extinção do dinheiro vivo e se são tomadas as medidas pertinentes, um motor da transformação digital de que o setor financeiro precisa para favorecer a posição do Brasil como líder na matéria.
Por Melisa Murialdo Redatora e Editora de Conteúdos para a América Latina | CPA Analista
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